Joomla extensions, Wordpress plugins
Home / EDITORIAIS / Eu, Paulex Matos Siqueira de Paula
Joomla extensions, Wordpress plugins
Joomla extensions, Wordpress plugins
Joomla extensions, Wordpress plugins
Joomla extensions, Wordpress plugins

Eu, Paulex Matos Siqueira de Paula

Estive, na manhã de hoje, com o empresário Carlos Barros, candidato a prefeito de Peruíbe, numa tentativa quase que desesperada de oferecer meus préstimos como escrevinhador e analista político da cidade, neste tempo que a campanha já se vai embora, a eleição de aproxima e eu correndo sério risco de passar por uma eleição quase que incólume, sem ter participado efetivamente desta ou daquela campanha, vitoriosa ou derrotada, como já era de meu costume e vício desde 1976.

A tentativa foi vã. Minha conversa com o notável Barros foi nota 10. Só teria sido melhor se ele tivesse acenado para mim com uma oportunidade da qual mais preciso que mereço, para fazer jus às despesas decorrentes de minha transferência e retorno para Peruíbe, as quais restaram acumuladas por obra e desgraça de eu ter cedido crédito às promessas daqueles que, sabido de todos, são useiros e vezeiros em oferecer promessas que já se sabe de antemão nunca virem a serem cumpridas, ao menos não em sua plenitude.

Mas não culpo o Barros. Como disse, nosso colóquio foi digno e respeitoso. Ele me pareceu tranquilo, sereno, calmo, mesmo tendo ciência de que sua luta é titânica e, dependendo do resultado das urnas em 2 de outubro, até inglória. Mas dei-lhe a nota 10 exatamente porque a quase fleuma de Carlos Barros dá atestado de que ele não está na campanha por um desejo insidioso do poder, que é quando a pessoa está disposta até mesmo a morder a testa de um desafeto para conseguir seus desejos mais obscenos no que tange ao uso e abuso da coisa pública. Não! Pé no chão, Carlos Barros participa do pleito como quem sabe e tem certeza que tem muito a oferecer para Peruíbe, e, bem mais do que Peruíbe poderia oferecer para ele, pergunta-se sempre o que é que ele, Barros, pode de efetivo oferecer para Peruíbe.

Num trocadilho oportuno com seu número nas urnas, eu saí do encontro com esta impressão nítida de que Carlos Barros é de fato um candidato nota 10!

O fato de não ter aberto as portas de sua campanha para mim, ainda que nestes poucos dias restantes de campanha, e ainda que eu tenha consciência que pouquíssimo poderia contribuir para dar-lhe mais tranquilidade de que poderia mesmo estar entres os primeiros a concorrer para o cargo máximo do município, tem motivação no fato de que, por mais que hoje eu me esforce em dizer o contrário, ou explicitar independência, ou jurar que não estou mesmo com este ou aquele, o nome de Alex Matos está estampado em minha testa. Não que isso seja vitupério, até porque, afinal, foi por ele e para ele que retornei a Peruíbe. Como um profissional que me acho ser, não vejo vergonha em trabalhar para a campanha de Alex Matos, de Gilson Bargieri, ou de quem quer que seja. Mas, por justo, eu preciso ganhar.

Contudo, Alex Matos não tem obrigações para comigo, senão aquela de cumprir o trato no que tange à minha transferência para cá. Se no interregno deste tempo encontrou ele quem melhor lhe atendesse em suas necessidades jornalísticas, não seria eu a lhe emprenhar os ouvidos de que eu sou melhor que este ou aquele. E nem tem essas linhas o condão de cobrá-lo ou cobrar Paulo Henrique Siqueira que, com ele, participou deste processo de convite e retorno meu a Peruíbe com o fito de estar mais próximo da campanha de Alex. Dívidas políticas nunca são cobráveis – e muito menos pagáveis, principalmente quando não se tem como que pagar, ou ainda quando se tem, mas não se quer pagar! Por este prisma, participa de uma campanha eleitoral quem quer correr o risco de oferecer serviços ou produtos para candidatos e nunca receber por seus préstimos. É o meu caso. E é o caso de tantos quantos ou já desacreditaram de vez, ou ainda acreditam um pouco de que aquelas velhas dívidas ainda de 2012 poderiam mesmo vir a serem pagas agora ou um dia.

Estas mal traçadas linhas antes têm o propósito de volver a lume a verdade de que política e políticos têm o poder sanguessuga de grudar, de se impregnar no corpo e na alma da gente a ponto de ficarmos estigmatizados, como que marcados a ferro, a tal ponto de perdermos nossa identidade e acabarmos assumindo, ainda que involuntariamente, a identidade de outrem, ainda que benfeitor, ainda que malfeitor. É como me sento agora.

Por anos a fio experimentei isso na pele com as perseguições a mim impostas por eu ter debutado na política, aos 16 anos de idade, com Mário Omuro, quando ele, dois anos mais velho, tinha 18. O estigma “Mário Omuro” se instalou em mim de tal maneira que, em 1982, estando eu na faculdade, não medi consequências para abandonar todas as minhas aspirações acadêmicas, e retornar a Peruíbe, buscado que fui pelo próprio Mário Omuro e seu coadjuvante da época, Marcos Ensel Wizentier. Deste tempo para cá deu-se uma sucessão de idas e vindas entre São Paulo e Peruíbe, sempre correndo atrás do mesmo propósito de tentar fazer a diferença na política de Peruíbe, embora aquele estigma, cujo peso se tornou árduo com o passar do tempo, também cada vez mais difícil se tornava de me livrar dele.

Por causa da política, sofri o carma do sangue, suor e lágrimas, movido por esta minha teimosia. Resultado desta teima me levou a processos nas justiças eleitoral, cível e até criminal. Estive encarcerado por duas vezes! Fui agredido fisicamente por uma autoridade policial dentro da delegacia em Peruíbe. Convivi com ameaças, inclusive de morte. Mas a maior das frustrações foi a de ver, ano a após ano, mandatos após mandatos, prefeitos entrando, prefeitos saindo, foi a de ver e sentir que seria mesmo possível eu fazer alguma diferença na administração pública em áreas como as que conheço e nas quais tenho prazer que são a comunicação e a cultura, sem que nunca, em momento algum, tivesse tido eu oportunidade, ou visse uma porta de abrindo, ainda que em sinal de agradecimento pelo que eu e minha família representamos, afinal, para a história de Peruíbe.

Agora, por último (espero que não por “penúltimo”), estava novamente em São Paulo desde 2010. Não esperava voltar. Estava, a meu modo simples de viver, até que bem em São Paulo, participando de um trabalho voluntário e social com um grupo de senhorinhas da melhor idade que compõem um coral feminino, do qual fui regente por quatro anos, e que me trazia uma renovada alegria e emoção a cada terça-feira que ensaiávamos, ou nos finais de semana em que nos apresentávamos nas igrejas na região de Santo Amaro, na Capital. Mas, quanto mais eu acreditava estar vacinado e imunizado da política e dos políticos, de repente ouço o canto de um boto vindo lá das margens de um imaginário rio de lembranças e esperanças, de anseios e aspirações, e, mal acordei do transe, estava novamente em Peruíbe, como estou agora.

Diz a antiga canção de nosso folclore que “o boto não dorme no fundo do rio, seu dom é enorme, e quem quer que o viu, que diga, que informe, se lhe resistiu…” Pois é, vi e ouvi isso: o boto não dorme; e eu não o resisti. Não o resisti e estou aqui em Peruíbe novamente.

O boto – Paulo Henrique Siqueira, ou Paulão – cantou a toada que eu precisava ouvir: “Já ajudei muita gente que sofreu perseguições aqui em Peruíbe; só falta ajudar você”. O som era mavioso, a poesia encantadora, desafiadora, contagiante. Foi o ópio para o viciado. O viciado em política como eu me ressinto ser, doença da qual tanto quero me curar…

O binômio Paulex, simbiose que singelamente faço de Paulo Henrique Siqueira com Alex Matos era a senha e a motivação para meu retorno. Ainda que o segundo teime em fazer crer estar desvinculado do primeiro, é fato incontestável que ambos têm ligações, cuja relação é, deveras, de interdependência. Um precisa do necessário apoio logístico do outro; e o outro, a aposta para que dê certo o objetivo de um, para que este outro possa, de alguma maneira, se manter, senão no epicentro do poder, ao menos próximo dele. Neguem, um e outro, a quem quiserem; menos a mim, e ambos sabem porquê e com quê certeza afirmo isso.

É hipocrisia todo e qualquer candidato dizer que não seria benvinda uma ajuda financeira, seja de Paulo Henrique Siqueira ou de Ana Preto para suas campanhas. Dinheiro sempre é bom, e eu gosto, tu gostas, ele gosta, nós gostamos, vós gostais, eles gostam. Assim que é hipocrisia qualquer candidato dizer que não gostaria do apoio de Gilson Bargieri, caso a candidatura deste se desfaça nas garras da Justiça. Em política temos desta coisa incrível de saber que é na calada da noite que não só a população aumenta, mas que também a desfaçatez e sem-vergonhice grassa. Assim sendo, continuam os políticos fazendo na vida pública bem mais e pior do que fazem na privada! Lamentável.

Incomoda-me esta certeza de ver o tempo se diluindo em meio às incertezas. Por Deus que gostaria mesmo que fosse diferente. Que ninguém me devesse nada senão a amizade, e que nada devesse a ninguém que não fosse a solidariedade. Que fosse possível ou eu ser menos crédulo naqueles que não merecem crédito, ou receber de volta a contrapartida pelo quanto e tanto de crédito ofereci àqueles que ainda teimo em julgar amigos. Mas, sobretudo, que fosse possível eu me ver de todo e de uma vez por toda livre desta patologia que nos mata da forma mais cruel possível, porque nos corrói por dentro, começando por destruir nossa dignidade.

Só sabe do que digo e aqui escrevo aquele que foi engolido por Peruíbe. É, Paulão, você tem razão: Peruíbe nos engole! Engole, mas não nos digere. Pelo visto, para nos vermos livres de vez, só se formos excrementados.

Até lá, até ser evacuado de vez, já não sei bem se amargo ou tenho prazer em não ser só Washington Luiz de Paula, mas sim, pelo menos até não sei quando, Washington Paulex Matos Siqueira de Paula.

Washington Luiz de Paula

Sobre mrwash

Joomla extensions, Wordpress plugins
%d blogueiros gostam disto: