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Lançamento de CD é promessa cumprida de Paulão – Teria sido a única? (Veja o videoclipe)

J.R. Duran

Depois de uma série de adiamentos em razão dos compromissos políticos assumidos junto à administração municipal de Peruíbe, Paulo Henrique Siqueira (Paulão, ou Mr. Paulão, como passa ser chamado no mundo artístico), antecipa o lançamento de seu primeiro trabalho oficial como cantor para este mês de julho (veja matéria aqui).

As datas praticamente coincidem com o lançamento das campanhas eleitorais deste ano, cujas convenções partidárias devem começar a acontecer a partir de próximo dia 20, porém o indicativo está mais para uma certa fuga de Paulão do processo eleitoral deste ano em Peruíbe, do que propriamente pretender vincular esse lançamento à candidatura de candidato a ou b.

Paulão foi o grande gerente da administração teoricamente comandada por Ana Preto, filha do extinto prefeito José Roberto Preto, de quem, ao que se pode deduzir pelo altíssimo grau de rejeição com que termina seu governo, pouco ou nada herdou do grande administrador e empresário que foi “seu” José. Como todo o comando político, administrativo e financeiro da administração que se finda em 31 de dezembro estava sob os auspícios de Paulão, é fácil entender o quanto ficou mais fácil investir em seus sonhos voltados para a música, do que – convenhamos – está mais do que certo, embora moralmente possa ser até censurável.

Há um hiato a ser considerado, porém. A qualidade vocal de Paulão impressiona, e sua presença de palco de modo igual (veja o vídeo abaixo). Logo, é preciso que cada cidadão de Peruíbe saiba separar o Paulão mistificado pela forma truculenta como “ganhou” a eleição para José Roberto Preto, em desfavor de Gilson Bargieri, em 2004, mas também, e principalmente, pela retórica mais “paz e amor”, porém cheias de promessas nunca cumpridas, que fizeram arregimentar uma plêiade de enganadas ovelhas rumo ao covil do lobo – no caso, da loba – como a eleição de Ana Preto que veio a derrotar Milena Bargieri em 2012.

Em ambos os sentidos Paulão é o cara! Não há que se ter dúvida disso. Ele que se prepara para ser pai de outras duas meninas, desta vez gêmeas, colecionando quatro lindas herdeiras, merece todo o sucesso do mundo nos palcos. Difícil, porém, é crer que consiga esquecer a política. Se a fama dá aquela sensação de estar no centro das paixões das massas, a política concede a sensação de poder, busca incessante de todo homem, que muitas vezes não mede sacrificar a moral para conquista-lo. Mas ambas são ópio. Se não se souber usar, pode tanto levar à glória como também à loucura.

Com a decisão até aqui mais que decidida da prefeita Ana Preto não vir a ser mesmo candidata à reeleição, o candidato que mais agrada a Paulão e que mais o aproxima a continuar com o cetro e o sinete do poder na mão, parece enveredar pelos mesmos descaminhos éticos que culminaram por fazê-lo ganhar as eleições de 2004 e de 2012. Oxalá eu esteja enganado. Mas buscar concentrar em redil mais de uma centena de pré-candidatos ávidos muito mais por dinheiro imediato do que em fazer campanha ou ganhar eleição, sem que se tenha pasto e ração para mitigar suas fomes, não confere outra certeza senão a de que, ou o rebanho das ovelhas vai se lembrar de 2012 e vai se rebelar bem no meio do curtíssimo período de campanha eleitoral, comprometendo seus objetivos eleitorais, ou o lobo vai acabar comendo as ovelhas magras, muito magras mesmo.

Mas Peruíbe já teve e ainda tem outros valores artísticos e musicais de relevo, como Sérgio Bianchini, Nani e Rogério, Nilo Ney e outros – isso sem falar nos destaques em outras áreas da cultura e das artes. Qual a diferença, pois? Embora tecnicamente possa até ter alguma coisa de melhor em Paulão, a grande diferença está mesmo no fato de que, também nesta área o dinheiro fala bem mais alto. Afinal, segundo os números extraoficialmente revelados, foram quase meio milhão de reais de investimento, dos quais a metade pelo menos foi bancada pelo próprio Paulão, ficando a outra metade para a gravadora que “comprou” a ideia de investir em seu talento. E mesmo sendo a metade, com todo respeito aos queridos artistas que ilustram a vida noturna de bares e restaurantes de Peruíbe, me parece este ser um dinheiro que está muito longe do alcance de suas não menos talentosas mãos e vozes.

Logo é fácil presumir que a receita para o sucesso seja mesmo a política. O dinheiro? Bem, o dinheiro é consequência de uma vida política bem-sucedida. Se o CD de Paulão vai vender, se seu nome e voz logo estará nos “hit-parades” da mídia, se sua agenda de shows vai estar mesmo logo lotada é mero detalhe que não deve estar fora do foco da torcida de cada cidadão peruibense; afinal, este é um investimento do povo de Peruíbe, e ao povo de Peruíbe não resta outra coisa que torcer para que pelo menos o sucesso artístico de Paulão seja aquela que talvez venha a ser historicamente registrada como a única notícia boa para a cidade deste governo que começou mal das pernas, e que agora termina mal da coluna também.

Ao próximo prefeito, apoiado e financiado ou não por Paulão, eu me antecipo em sugerir uma campanha logo para seu primeiro ano de governo: “Pague seu IPTU em dia e ganhe um CD autografado do nosso maior artista: Mr. Paulão”.

Washington Luiz de Paula

 

 

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2 comentários

  1. Tem razão. A fama sempre trouxe despeito e inveja aos medíocres.

  2. Paulão achou seu caminho. Bem melhor cantando. Os adversários vão morrer de inveja.

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