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59, noves fora…

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Resultado de imagem para 59 anosCompleto hoje 59 anos de idade com aquela sensação perene de que algo andou errado em meus caminhos no curso destes mais de meio século de existência.

Não. Não chego a este ponto com o senso do dever cumprido, me sentindo realizado ou feliz, no sentido que as pessoas entendem por aí sobre o que venha a ser felicidade e realização de vida. Contudo, tenho plena consciência de duas coisas muito importantes, e que devem ser ditas aqui para que não digam que este pequeno tratado seja esforço de autocomiseração, senão de vitupério: a oportunidade que a vida me deu, no dizer de um irmão de sangue certa vez em que tentei me socorrer de seus préstimos financeiros, é a mesma que deu para ele, meu irmão, assim como deu a Eiki Batista, Naji Nahas ou Sílvio Santos, para ficar nos três apenas; e, segundo, sou o que sou, vivo o que vivo, passo pelo que passo, sofro o que sofro, porque sou vítima de mim mesmo, de minhas próprias escolhas.

Assim como quem se envereda pelo mundo do crime prefere o atalho no mais das vezes mais curto para se alcançar o objetivo vistoso do gáudio e da vida sem penúrias financeiras ou econômicas, é muito certo que, se eu não escolhi este atalho que muito envergonharia minha mãe que chega ao exato dobro de minha idade no ano que vem, e também a memória de meu saudoso pai, escolhi caminhos – e hoje tenho plena convicção disso – que não eram aqueles que Deus tinha preparado para mim. Logo, se vítima sou, sou sim, mas – repito – de minhas próprias escolhas.

Um rápido passeio por meus escritos haverá de me denunciar do quanto carrego de rancor, mágoa, tristeza infinda, e muita culpa, por ter feito a escolha que fiz, contrariando meu pai, quando, dos 16 aos 18 anos, resolvi afrontar o governo militar que pretendia trazer duas usinas nucleares para a praia do Juquiazinho, no eixo Peruíbe-Iguape. Não que o ideal não tenha sido nobre, mas, como todo ideal em sua nobreza, fez muito bem a tantos e a outros, e mim nada ou nenhum bem fez. Detenho-me neste ponto inicial porque teria sido neste exato momento, ou quem sabe um pouquinho antes, quando comecei a escrever em jornais locais criticando os políticos de Peruíbe da época, em que começava a florescer em mim o “homo politicus”.

Meu pai preferira sempre que eu tivesse entrado para o serviço público, sendo funcionário do estado como ele mesmo era. A seu modo sempre dizia: “o que a gente ganha é pouco, mas é coisa certa; não tem como errar”. E dizia ele isto mesmo ganhando um salário mínimo e meio de ordenado, pagando aluguel equivalente à metade do seu ganho, e sustentando nada menos que seis filhos!

Ele estava certo. Ainda que pouco, se tivesse seguido seu conselho, estaria hoje aposentado, ganhando talvez mil-e-poucos por mês, mas ganhando, sem que fosse preciso fazer o exercício diário que faço – pouco saudável para a saúde física, mental e emocional – do rebaixamento para esta casta nada confiável que são os políticos, como me vejo na contingência de fazer ontem, hoje e, ao que vislumbro, sempre.

Queria o destino, entrementes, que eu fosse um fraco. Nunca soube, a bem da verdade, dizer não, senão para os meus filhos, para os quais não pude dar sequer atenção e carinho de pai, quanto mais presentes caros e a tão sonhada por toda criança viagem à Disneylândia ou ao Beto Carrero World. Por conseguinte, fui sendo usado o quanto puderam me usar. Se tivesse ganho uma moeda cada vez que citei o nome dos políticos de Peruíbe nos louvores que escrevi – e mesmo nas críticas para este as quais sempre beneficiaram aquele – estaria por certo, senão rico, ao menos com a vida estável e segura.

Deus, em sua suprema bondade e paciência, bem que tentou fazer-me retomar o rumo alinhavado para mim, levando-me para São Paulo, em 1978, para a faculdade, estudar Teologia, para tentar seguir o ritmo da vida simples e de não menos sacrifícios que levavam meu quase avô pastor Jorge Grec lá em Jacupiranga, e Olímpio Rudinin Leite, meu primeiro pastor, lá em Pariqüera-Açú. Os tempos eram outros, a insidiosa teologia da prosperidade ainda não vira seu advento, e eu queria mesmo era ser um pastor do interior, lá bem no fundo do Brasil, onde o dízimo seria traduzido pelas ofertas dos frutos da terra trazidos pela membresia para o domingo pastoral. A riqueza e o luxo estaria presente apenas no conforto da presença e da provisão de Deus na vida da gente, sempre agradecidos e reconhecidos de que a previdência e a providência de Deus vêm sempre na medida exata de nossa necessidade e de nosso merecimento.

O entusiasmo teológico durou pouco, porém. Sequer deu tempo de terminar a faculdade; e, quando me dei por mim, estava novamente envolvido até o pescoço com a política. Desse envolvimento contrário à vontade suprema – e da senhora minha mãe, vieram, como intercorrentes, as dívidas, os processos nas mais diversas esferas, as prisões, as ameaças até de morte, as lágrimas, o suor e, mais um pouco, o sangue derramado. Um apanhado do resultado desta minha teimosia de mais de oito lustros pôr-me-ia em déficit para com a vida, mesmo se somados meu casamento e o presente do nascimento de meus três filhos.

Nestes quase 38 anos contados a partir do primeiro momento em que pisava solo da capital, foram tantas idas e vindas entre o eixo Peruíbe-São Paulo que já me perdi nas contas, e já sequer consigo me lembrar onde morei – aqui ou em São Paulo – e por quanto tempo morei em cada lugar.

A vida destinou-me, portanto, a instabilidade.

Dias desses, em colóquio com o prefeito eleito de Peruíbe, dizia eu a ele que do que precisava mesmo era de um mecenas, posto que a única estabilidade que me reservou o destino foi mesmo a de escrever. Se bem ou mal, não sei; se do agrado ou não, tão pouco sei. Não seria surpresa, e bem sei não ser eu o único, o primeiro, tão pouco o último, se o produto de minha lavra só viesse a ter sucesso ou reconhecimento póstumo. Mas, conhecendo Peruíbe, seu povo e castas, não seria surpresa que mal tivesse passado uma semana de minha morte, e tivesse eu sido esquecido, quem sabe lembrado apenas com um nome de rua em algum bairro distante, na periferia, mas que ninguém nunca virá a saber quem foi aquele que tem o nome na placa da rua. Dalmar Americano, nosso poeta maior, que o diga lá do boteco celestial, onde agora não deve se cansar de repetir os tercetos finais de seu soneto “Crepúsculo”, que por si só deveriam eternizá-lo:

Hoje, cansado, o coração deserto,
vendo a morte a acenar-me assim tão perto,
sinto no peito um dissabor profundo:

O nada de morrer sem ter vivido
e terminar num túmulo esquecido
como um pária, entre os párias deste mundo.

Bem isso mesmo.

Mas, voltando à ladainha, que um mecenas me faria bem, isso me faria. Poderia escrever com mais tranquilidade, com mais vigor, e produzir escritos ao ritmo da própria respiração, sejam eles em prosa ou em versos. Considerando, porém, estamos no Brasil, onde esta cultura do mecenato não existe senão no coração e na vontade de alguns pouquíssimos abastados, afasto de pronto esta esperança, não obstante tenha ouvido do futuro prefeito um “quem sabe” até que alvissareiro…

Não consigo medir aqui com meus neurônios se, afinal, se tirados dos meus 59 anos de hoje, teriam valido a pena os 50 anos dedicados à “terra do meu amor”, para lembrar Gonçalves Dias. Para mim e para Peruíbe. Há seres que, senão são especiais no que tange a serem melhores que qualquer semelhante, são ao menos diferentes; e, porque diferentes, podem passar mesmo pela vida sem terem estado apenas e tão-somente “em brancas nuvens”, e nem terem só em “plácidos repousos” adormecidos, para relembrar Francisco Otaviano.

Sou desta alma inquieta que chora a ingratidão dos que nunca souberam reconhecer que a caligrafia de um tempo passado, a datilografia de um tempo há não muito tempo ido, e a digitação de hoje são ferramentas de trabalho que deveriam enobrecer o homem tal e qual a enxada, a foice, o martelo, o compasso ou o esquadro. Inquieta-me o espírito a falta de reconhecimento e a incompreensão de todos aqueles – alguns até bem próximos, que insistem em entender que trabalho e meio de vida não é bem essa coisa de ler, estudar, pensar e escrever.

E, se há conforto nesta inquietude, talvez fique para a necessária ausência de achar que estou só neste mundo dos escravos das letras. Não estou só; bem sei. Por curioso, entanto, os que sofrem as mazelas do ostracismo são ermitões, eremitas mentais que vivem isolados em seus próprios mundos, alguns até mesmo parecendo se procriar apenas como as ostras e mariscos se procriam. Logo a ideia de uma associação dos anônimos e esquecidos é pouco provável que floresça ou prospere.

Bem ou mal, estou eu aqui. 59 anos completos de vida, e quase 50 anos de Peruíbe. Chega a ser engraçado que muitos pela rua me reconheçam pela caricatura que estampa minhas postagens em meu blogue ou nos meus perfis nas redes sociais. É bem certo que, além do que se vê pelos traços do caricaturista, há muito mais a ser visto neste humilde escriba e rábula entre os plumitivos. Mas é mais certo ainda que poucos se interessem por esta visão além e por detrás do que apenas se vê pelos olhos do corpo.

Não. Repito: não sou melhor que ninguém, nem tenho valor que seja maior que o de qualquer pessoa que eu conheça ou que me conheça. Mas, se há diferença em mim, é a de procurar sempre ver as pessoas, antes de vê-las com os olhos carnais, vê-las com os olhos da alma. E podem ter certeza de que 50 anos é tempo mais que suficiente para conhecer e saber onde estão e quem são todos aqueles que nunca e nada quiseram o bem de Peruíbe, no mesmo diapasão em que consigo vislumbrar os poucos que querem esta urbe bem, e muito bem!

A tristeza relatada no princípio destas linhas fica talvez para o fato de eu mesmo nunca ter conseguido vencer a dificuldade de mostrar a nossa gente a necessidade de termos uma sociedade organizada que seja, senão quatrocentona, ao menos cinquentona, posto que Peruíbe, afinal, não tem mesmo 400 anos de história como cidade organizada e independente. Antes, pelo contrário, o que vejo e vemos é uma cidade diluída e entregue às mãos de gente que pouca afinidade tem com nosso povo, nossa bandeira, nosso hino, nossas divisas, nosso patrimônio cultural, histórico e natural. Conseguisse este feito, dar-me-ia por realizado. Realizado e feliz.

Enganam-se todos aqueles que intentam me convencer de que esta sina que me persegue é inglória demais. Teimo, como Arquimedes, de que é bem possível mover o mundo, bastando apenas a alavanca certa. Deem-me – suplico – esta alavanca, e eu também moverei céus e terra, mostrando assim ser possível fazer a diferença em meio a um povo tão passivo e compassivo como este nosso.

Querem, pois, me dar um presente neste meu dia festivo? Peço dois: Ajudem-me a ajudar; e me deixem, a meu modo, ajudar. Só assim poderá chegar o dia em que poderei dizer que valeu bastante a pena ter dedicado 50 anos dos meus 59 a esta sempre querida Terra da Eterna Juventude.

Washington Luiz de Paula

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