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Eduardo Ribas – O embaixador silencioso do Turismo

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Ribas (de camiseta e boné azul) atuando como guia turístico para a gravação do programa Rota do Sol, da TV Tribuna (Foto: Divulgação)
José Valien Royo era motorista em uma produtora de comerciais para televisão antes de ficar famoso, e se tornar o “Baixinho da Kaiser”, ali pelos anos de 1986. Seu “achado” foi mesmo um achado, deu-se por acaso. Ele que já fazia pontas como figurante em filmes e comerciais para a agência em que trabalhava, acabou assumindo papel principal nos comerciais daquela que era a mais famosa das cervejas da época – mas da qual pouquíssima gente gostou. Da Kaiser. Dele, do “Baixinho”, todo mundo gostava. E alguns até que engoliam e “aguentavam” a cerveja, a dor de cabeça do dia seguinte. só para fazer agrado a Royo.

Nesta época o catalão já tinha uma casa em Peruíbe, me parece que no Oásis, onde chegaram a construir uma piscina em formato de garrafa de cerveja, que passou a ser frequentada pelos políticos da cidade que não demoraram para dar-lhe, simbolicamente, o título de “Embaixador do Turismo de Peruíbe”, pelo quanto a cidade ficara ainda mais famosa por conta de sua presença em nosso meio.

Não se sabe ao certo se tal título chegou a ser conferido oficialmente, mas o Baixinho da Kaiser parecia mesmo querer destronar o eterno – este sim! – embaixador do Turismo de nossa cidade, coronel Rodolpho Pettená. E parece que não conseguiu. José Valien Royo trocou Peruíbe pelo Guarujá, e, Pettená, que viria a morrer em 2007, em 26 de fevereiro daquele ano, aos 82 anos, em sua querida Campinas, jamais saiu de nossas lembranças e corações.

Muitos dos que me leem agora não chegaram sequer a conhecer Pettená. E muitos sequer saberão o que representava para ele, para seus convidados, e para o comércio da cidade, aquele trem de turismo lotado de passageiros, que, saindo de Campinas, descia a serra rumo a Peruíbe. O trem já saíra de circulação, mas Pettená não media esforços para sacar a mão do próprio bolso para fretar o trem, e fazê-lo circular novamente, num sonho caro, mas que ele sabia ser possível de realizar, graças à sua própria disposição financeira, e da de amigos, muitos dos quais lotavam os vagões somente para ter a sensação da aventura de cruzar a Serra do Mar, e, em Peruíbe, ser recebido na Estação pela aquela que ele mesmo chamava de “nossa gloriosa banda municipal”.

Era assim que Pettená enchia os hotéis e restaurantes da cidade a cada final de semana que ele conseguia fazer o trem tocar seu apito desde o Taniguá, anunciando sua chegada. A alegria era geral – mas muito mais a dele, do próprio Pettená – um apaixonado por Peruíbe, por seu povo, por sua história, por suas belezas naturais.

Desde que morreu, a impressão que nos chega é a de que morreu também o Turismo de Peruíbe. Ele era a própria encarnação do Turismo, e, com sua carne evaporando-se em meio ao pó da terra, parecia mesmo que se evaporava também o Turismo de nossa cidade. Mas não. Da mesma sorte que o Turismo estava no espírito do nosso eterno general, o Turismo não haveria também de morrer, vez que o espírito nunca morre. Estava a bem dizer, apenas adormecido… Ou quem sabe não estaria apenas “adormecido”? Pois é. Eu creio assim. Adormecido.

Era preciso, portanto, que alguém o despertasse deste seu sono. O Turismo precisava ser acordado. Talvez com nem todos os recursos de conhecimento e influência que dispunha Rodolpho Pettená; talvez com nem todo aquele aparato de fogos de artifício e de comitê de boas-vindas que a municipalidade emprestava ao então valoroso baluarte de nosso Turismo; e, ainda que fosse de forma silenciosa e quase anônima, havia pelo menos uma pessoa dentre o nosso povo que parecia mesmo disposta a abraçar o ideal de Pettená para não deixar com que seu espírito também morresse.

E esta pessoa era ninguém mais, ninguém menos que Eduardo Ribas. Tal e qual seu antecessor e, diríamos, espelho, principalmente no que tange à vontade por fazer com que as coisas com as quais sonha sejam realizáveis, Eduardo Monteiro Ribas não é pessoa que seja das mais conhecidas da cidade hoje. Ele, que já foi vereador à época da melhor Câmara que o povo de Peruíbe já elegeu em toda sua história (1989-1992), fosse candidato agora, talvez não tivesse mais que 50 votos. Mas, para o meio envolvido com o Turismo da cidade, Eduardo Ribas é o cara!

Mas nem tudo são flores para Eduardo Ribas, já que também carrega sobre si o estigma de ser diferente numa cidade de iguais, em que descobriu-se que é bem melhor e mais fácil vilipendiar do que elogiar, atrapalhar do que ajudar. As bocas malditas de Peruíbe que o digam, estejam elas onde estiverem, seja nos corredores palacianos (câmara e prefeitura), seja em meio à sociedade dita organizada.

Mas ele parece mesmo não estar nem aí para o quanto os cachorros latem. Para ele, o importante é a caravana; o importante é que a caravana esteja passando, e passando bem!

Ribas não é rotariano, leão ou maçon. Não é membro da diretoria da associação comercial, e parece não ter muita vocação mesmo para aparecer. Em seu perfil no Facebook há apenas uma informação: mora em Peruíbe – não obstante ter formação universitária, embora em área totalmente diversa da que vem dedicando sua vida desde muito tempo em Peruíbe.

Como todo bom caiçara, Eduardo Ribas peca vezes algumas pela indolência. Se defeito ou virtude, foi justamente a indolência que fê-lo ser aclamado como o grande “bode expiatório” do governo Alberto Sanches Gomes (1997-2000), oportunidade em que debutou como diretor do Departamento de Turismo da cidade. Muitos chegaram a pedir sua “cabeça”, e sua demissão jamais viria a acontecer, mesmo por um sistemático como sempre foi Dr. Alberto. Ali, naquela ocasião, fez a escola na prática de que precisava para entregar-se de corpo e alma a Peruíbe e à causa do Turismo.

Terminado aquele período, quando então o ostracismo parecia mesmo toma-lo de assalto, Ribas encetou a sua empresa “Na Trilha da Jureia” organizando passeios eco-turísticos pelos ainda poucos conhecidos destinos turísticos do município. Não demorou para o empreendimento acabasse ficando conhecido nacional e internacionalmente por apaixonados pelo turismo ecológico e de aventura.

Não foram poucas as vezes que, anônima e silenciosamente, dezenas de “gringos” vindos de várias partes do planeta aportaram em Peruíbe, sendo recebidos por Eduardo Ribas, que os alojou em hotéis principalmente no Guaraú, e, de lá, fazendo-os subir rio acima com canoas havaianas, e adentrando a Juréia para fotografias, pesquisas ou mesmo simples relaxamento.

Discreto, Eduardo Ribas parece mesmo não querer fama. Mas tem uma coisa que ele gostaria de ter, e isto fica visível em seus olhos claros quando, conversando com ele, falamos de seu assunto preferido: o Turismo, que é uma oportunidade oficial, com também apoio oficial, para promover aquilo que tanto tem-se decantado ao longo dos últimos anos: o resgate do Turismo de Peruíbe!

Por suposto, não me surpreenderia em nada se ele viesse a assumir a Pasta do Turismo no governo de seu amigo, correligionário como ele do PSDB, o prefeito eleito Luiz Maurício. A escolha, convenhamos não é das mais fáceis: seria assim como escolher a mim, Washington Luiz de Paula, para o primeiro escalão deste ou de qualquer governo. Mas vai me parecendo que o prefeito Luiz Maurício não está lá muito disposto a agradar os apóstolos do “quanto pior, melhor”, ou aqueles que estão mal-acostumados a barganhar cargos em troca disto ou daquilo. Luiz Maurício quer conhecimento técnico, projetos e, mais do que isso, paixão pelo exercício da coisa pública, e, ainda e sobretudo, resultado!

A grande lição que nos empresta este silencioso Embaixador de nosso Turismo é a de que, seja o próprio Turismo, seja a Cultura, sejam os Esportes, seja a Educação, a Saúde ou qualquer outro departamento ou secretaria, é mesmo a de que a cidade não pode mais ficar à mercê de picuinhas e diz-que-diz-que. Não há razão plausível ou de conhecimento razoável que seja para alguém não gostar de Eduardo Ribas; e se há razão evidente para que alguém não goste dele ou de mim também, que o diga agora, ou se cale para sempre.

Washington Luiz de Paula

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2 comentários

  1. Gostei, pela evocação ao Pettená. Quanto às loas para Eduardo Ribas, concordo, com restrição ao “silencioso”. Washington, faça um artigo metendo o pau na múmia pigmeia que puseram lá no Morro, osbscurecendo a cruz simbólica.

  2. Meu caro, o entrevistado é Presidente do conselho Municipal de Turismo, há muito tempo. Cabe a ele dirigir as reuniões e aprovar projetos apresentados ao FUNDO MUNICIPAL DE TURISMO.
    O artigo 4 da lei que criou o FUNTUR define que a escolha de projetos visando o desenvolvimento sustentável do turismo em Peruíbe com a utilização de recursos do Fundo Municipal de Turismo –FUNTUR, por Entidades, Empresas ou Associações, serão feitas a partir da abertura de concurso para a apresentação dos projetos.
    Não me consta que tenham havido tais concursos…

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