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Eleições 2016 – Peruíbe se prepara para eleger os mesmos

Com as convenções partidárias começando nesta próxima semana, tudo que vemos e ouvimos, sejam nas redes sociais, nos jornais ou nas conversas que vagam pelas bocas malditas de Peruíbe, é que o eleitorado de Peruíbe seguirá a cruel sina de ter que escolher, dentre os pré-candidatos (ainda), e candidatos dentro em pouco, ninguém mais, ninguém menos que os mesmos.

À exceção do empresário Carlos Barros (Altas Horas), que parece involuntariamente seguir a receita inglória de Francisco Pereira da Rocha (Dr. Rocha) em 1988, e José Pereira de Melo (Dr. Melo) em 2000, não há um único nome que represente real possibilidade de vir a ocupar a cadeira hoje ocupada Ana Preto, ou qualquer das cadeiras do Legislativo, que não seja régio representante dos mesmos. Porém, até mesmo o já popular Barros, senão ainda tem, pelo menos já teve suas ligações um tanto quanto “perigosas” com setores do atual governo, como com pelo menos um dos principais fornecedores da prefeitura, que, todos sabemos, são as principais fontes de manutenção da corruptibilidade Brasil afora, Peruíbe adentro. Entrementes, a triste sina de Dr. Rocha e Dr. Melo podem vir a persegui-lo, e, se pego por esta praga eleitoral do destino, não haverá dinheiro bastante que demova a vontade viciada do eleitorado peruibense que parece seguir hipnotizada por votar mesmo é nos mesmos de sempre!

Os demais postulantes são todos réus confessos e culpados em primeira, segunda e terceira instância de serem os mesmos. Mudam o viés, os atalhos, a penugem e os pelos, mas só não vê quem não quer que, nos conchavos e acertos pré-convencionais estão aí para se apresentarem ao eleitorado eles, sempre eles, com a mesma cara-de-pau com que se apresentam quadrienalmente para reclamar o voto, como se tudo estivesse bem, e como se nada tivesse acontecido, como se nada tivesse acontecendo.

O enredo lembra bem aquela célebre quadrinha atribuída a Belmiro Braga (1872-1937) que dizia que “Eu morro por Filomena / Filomena por Joaquim, / O Joaquim por Madalena / E Madalena por mim”. Para entender este imbróglio basta que cada um dos políticos de Peruíbe tenha coragem, sinceridade e honestidade (o que é difícil, convenhamos) para responder a uma pergunta simples, também em trova, desta vez de minha lavra: “Quem é que aqui por Peruíbe / Destes que hoje por aí se vê / Que não tenha – e até se exibe! – / Sentado junto ao GB?”.

Deveras, Gilson Bargieri é o grande norte hoje em Peruíbe para onde apontam as agulhas de todas as bússolas, por mais coloridas e descoloridas que sejam ou estejam. Difícil encontrar espécie de “homo politicus” e, para arremedar D. Dilma, “mulher politicus”, em Peruíbe que não tenha se “sentado no colo” de Gilson Bargieri (alguns e algumas, desconfio que até literalmente), que já teve o seu tempo de ter sido o nosso “Coronel Saruê”, mas que hoje, passados os anos e a idade o pegando de soslaio, não é mais que um vovô babão tal e qual tenho sido eu mesmo.

Ainda assim, Gilson Bargieri dita as regras do jogo político de Peruíbe. Hoje, senão do político, ao menos do eleitoral. O grande susto que incomoda e provoca pesadelos em todos os demais pré-candidatos a prefeito de Peruíbe está em querer saber se Gilson Bargieri será ou não candidato, e daí procedem discussões desde a que procura elucidar se ele poderá ou não vir a ser candidato, ou, se em não podendo, lançaria de novo sua filha Milena, ou qualquer outra de suas filhas, como candidata, tal e qual se deu na bem-sucedida eleição de 2008.

É fato corrente que uma candidatura de Gilson Bargieri, ou mesmo de sua filha Milena, que também já foi prefeita tal como o pai, e que acabou se revelando bem melhor administradora que ele, viria a mudar os rumos de todos estes conchavos que vemos virem sendo arquitetados hoje com este sendo vice daquele, e aquele outro declinando sua candidatura em favor também deste ou daquele. Não se iludam! Toda esta correria e esperneio visa não só barrar a candidatura de Gilson, mas principalmente de Milena, que tem estado bem à frente de outros nomes nas pesquisas extraoficiais de opiniões contratadas por várias frentes, o que faz crer que, sendo Gilson ou Milena candidato (ou candidata) a eleição seria fava contada.

Mas tem um interesse bem “maior” velado em meio a discursos de promessas de mudanças que nunca vêm, interesses esses que podem chegar à casa dos R$ 100 milhões, se considerarmos um “desviozinho” de apenas 10% dos quase R$ 1 bilhão de orçamento municipal para os quatro anos de um mandato municipal de uma cidade como Peruíbe.

Afinal, se multiplicarmos o salário do prefeito (em torno de R$ 15 mil mensais) por 48 meses, teremos uma “modesta” soma de R$ 720 mil, mas que está bem aquém dos estimados dois, três ou até quatro milhões que é o orçamento (não oficial, convenhamos) de uma campanha eleitoral para prefeito em nossa cidade, soma esta que, por sua vez, está bem abaixo dos milhões de possibilidades à locupletação que uma passagem pelo Executivo municipal oferece.

Seguindo este diapasão não há santo no processo político-eleitoral de Peruíbe. Nem um sequer.

Na visão deste modesto pensador, todas as demais candidaturas são riachos que nascem do olho d’água chamado Gilson Bargieri que, do Itatins, no cume nasce.

Alex Matos é ilustração bem latente desta dependência bargieriana. Afilhado político de Gilson Bargieri, e afilhado de casório do falecido ex-prefeito José Roberto Preto, Alex Matos seria o que nós poderíamos convencionar epitetar como sendo o “deputado Carlos Eduardo” do nosso “Coronel Saruê”, com a diferença de que Alex, diferente do deputado da novela, parece ter jogado para o alto a herança política de Gilson que somente a ele estaria reservada.

Ex-vereador, Alex Matos deu um salto político pela tangente da política municipal, bem diferente de todos os que tentaram e dos poucos que conseguiram se perpetuar no ou próximo do poder. Mal viu-se abandonando uma mais que certa reeleição para vereador em 2008 para dedicar-se ao comando daquela vitoriosa campanha de Milena Bargieri, tendo inclusive declinado o convite para vir a ser o chefe de Gabinete daquela administração, e lá estava Alex Matos no Planalto Central do Brasil, atendendo convite de então deputado Márcio França (agora vice-governador do Estado) para assessorá-lo – a si e ao partido, o PSB – em Brasília.

Como neste texto não se discute a importância que Alex Matos ou qualquer outro nome da política municipal tenha representado para Peruíbe em termos de benesses conquistadas para o povo do município, mas sim o contexto de suas participações no processo político-eleitoral de ontem e de hoje, resta evidente pelo que notamos de suas últimas ações e investiduras que Alex Matos arquitetara sua candidatura a prefeito de Peruíbe bem antes que tivesse acordado de seu sono esplêndido de poder o seu padrinho Gilson Bargieri, que agora parece reclamar da “traição” que seu afilhado lhe encetou.

Analisando friamente, Alex Matos, contudo, pode ter atravessado a linha do bonde sem olhar para ambos os lados, e sem se dar conta de que o trem veio tão rápido que não deu tempo de se livrar do inevitável, mas ainda não fatal, atropelamento. Ainda. Seu tutor Márcio França bem que o alertara, mas, muito mais experimentado que o próprio pupilo, o vice-governador até que deve ter entendido sua intempestividade.

O preço a ser pago por Alex Matos, e que ele não conseguirá nem com reza brava pagar é que seu distanciamento de Gilson Bargieri – e de Márcio França, deve fazê-lo temer por uma derrota nas urnas em outubro. Que a divisão de apoios e de votos aconteceu, isso aconteceu. Que Alex Matos levou consigo pelo menos três quartos do staff de Gilson Bargieri, isso levou. Resta saber se ele levou também o carisma e – o que interessa – os votos de GB. De todo modo, Alex Matos levou nos despojos dessa separação a pior parte da atribuição política de Gilson, que é sua rejeição. E isso é um mal sinal. Para Alex.

Uma eventual reaproximação dos dois neste momento, considerando uma desistência de concorrer da parte de Gilson Bargieri, é danosa para a campanha de Alex Matos. Sim. Até porque Gilson Bargieri tem um eleitorado que poderíamos chamar de “xiita”, e, a esta altura do andor, está mesmo é querendo que Alex Matos se dê muito mal nas urnas. Como o contrário é improvável, ou seja, que Alex viesse a se penitenciar do rompimento com seu “chefe”, como costumava falar quando se referia a Bargieri, desistindo de sua candidatura, não merece consideração a ideia de que Alex poderia até mesmo vir a ser hostilizado pelos correligionários do ex-prefeito. Assim, considerando que os votos de Gilson são intransferíveis, é fácil presumir que, em resumo, interessa muito mais para Gilson que Alex desista que o contrário.

Mas nem todos os problemas dos candidatos está na depuração desta ou daquela análise política, por simplória ou complexa que seja. Há um elemento que incomoda muita gente, muito mais que dois, três ou quatro elefantinhos, que é o dinheiro, ou a falta dele.

Gilson Bargieri não esconde de ninguém que financeiramente está quebrado. Economicamente, Gilson talvez seja o mais estável dos pré-candidatos; mas, financeiramente, Gilson está ali, pari passu, com todos os outros pré-candidatos, à exceção de Francisco Lima e Dr. Valdez, que, nas últimas eleições chegaram a ser apontados como dois dos três candidatos mais ricos da cidade. A distância entre Gilson e os demais candidatos está em que, se vender uma de suas fazendas, já terá dinheiro suficiente para fazer sua campanha; mas é muito difícil que corra este risco, até porque, com a crise, ninguém está vendendo nada, muito menos comprando. De todo modo, Gilson tem lastro; os demais candidatos, não!

Alex Matos está neste degrau da escada, empacado. Embora correndo bastante em busca de apoio junto às bases e militâncias de sua por volta de dezena de partidos, a grande preocupação de Alex Matos hoje parece ser mesmo o buscar saber onde iria encontrar pelo menos dois milhões de reais para fazer sua campanha. A estimativa é simplória, considerando que já tem consigo mais de uma centena de pré-candidatos a vereadores, e, se estimar investir R$ 10 mil apenas – o que é pouco, pouquíssimo! – com cada um destes seus futuros candidatos a vereadores, só com essa conta do orçamento já verá suprimido dos cofres da campanha mais de um milhão de reais!

É para se levar em conta, também, que o advento da “lava-jato” colocou empreiteiras e financiadores “profissionais” de campanhas eleitorais com as barbas de molho. Ninguém mais fala em dinheiro por telefone, WhatsApp, e-mail, celular e até pessoalmente. A moeda sumiu e a imprecação de Jesus parece perseguir não só Alex Matos como todos os demais pré-candidatos: “Aquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado” (cf. Mateus 25.29).

Outro ponto de difícil decifração é com relação à aproximação a meu ver desnecessária, absolutamente desnecessária, de Alex Matos com o governo Ana Preto, e com seu todo-poderoso primeiro-ministro, Paulo Henrique Siqueira, o Paulão.

Ana termina seu mandato com uma rejeição de fazer inveja a Dilma Rousseff. Embora seu governo não tenha sido lá muito diferente que o de seus antecessores, alguma pedra no meio do caminho obstou o entendimento da prefeita e turvou sua visão de que, bem mais que fazer o que tinha que ser feito, era mostrar que o que tinha que ser feito foi feito, e se mais não foi feito, não teria sido feito por falta de vontade, mas sim por falta de dinheiro mesmo.

Não tenho números como aqueles que Gilson Bargieri tem de cor e salteado de seu então governo para fazer comparação com a administração atual. Mas, por qualquer motivo que seja, que não vem ao caso agora que seu prazo se finda, Ana Preto termina seu mandato de forma melancólica, a ponto de sequer querer arriscar uma candidatura à reeleição. Afinal, quem acompanha as redes sociais, sabe que Ana Preto está execrada. E não duvidem que uma próxima Câmara, se menos servil que essa, não a venha declarar como “persona non grata” na cidade.

Por esta principal razão, seu apoio a quem quer que seja é mais que um desserviço. Por este prisma, imaginem reunidos num só palanque Gilson Bargieri, Milena Bargieri e Ana Preto, todos pedindo votos para Alex Matos. Decerto que Emer, Luiz Maurício, Barros, Francisco Lima, Valdez, e todos os por vir candidatos, fariam coro em cantar o “Aleluia” de Handel, de trás para a frente – e em alemão!

Isso, contudo, não explica o nó que foi dado no cordão umbilical que une Alex Matos a Paulão. Estaria Alex Matos no rol daqueles que estão a esperar o trem prometido por Paulão, que já vem, mas que nunca vem – alguns à espera, na estação do embuste, deste a campanha de 2012?

Ai posteri l’ardua sentenza (Alessandro Manzoni, in Il Cinque Maggio, 1821).

Não obstante todos estes revezes, algo me faz crer que Alex Matos polarize a campanha com Emer Elias Abou Jaoude na reta final da eleição para prefeito deste ano.

Emer tornou-se cúmplice do processo político peruibense desde sua ascensão ao Legislativo, e sua candidatura a vice-prefeito na chapa liderada peta petista Maria Onira Betioli Contel em 2012. Logo, ele é mais um dos mesmos. Os apoios que vem recebendo de pelo menos dois ex-vereadores (e ex-presidentes da Câmara) condenados pela Justiça como Manoel Reis Guedes e Antônio Francisco Ricardo (Toninho do Frango) falam por si mesmos. Acrescente-se a isso o fato de que suas lides profissionais estão intimamente ligadas às obras públicas, as quais tem feito também em Peruíbe. Se eu mencionar que ele é um empreiteiro, como de fato o é, não será preciso muito mais dizer para colocá-lo no rol daqueles que o eleitor deve olhar com mais cuidado, o que não significa que devamos dedicar-lhe suspeição de falta de idoneidade.

Mesmo Emer, ainda que tenha algum recurso próprio para dispor numa campanha, terá dificuldade para administrar também centena de futuros candidatos a vereadores que já juram fidelidade e amor eterno ao “turco”. Vorazes, um milhão de reais será pouco para atender todos os pleitos que nascem da vontade daqueles que sequer chegarão a centena de votos – alguns com menos de dezena!

A diferença de Emer para Alex parece estar na independência que Emer tem na tomada de suas decisões, enquanto Alex, a se confirmar suas relações perigosas com prefeita e ex-prefeitos, parece estar mais amarrado que namorado em noite de sadomasoquismo.

Não há muito mais que falar de Emer. Sinceramente tenho dificuldade de crer que um eventual governo seu seria melhor que o atual ou qualquer outro governo passado. E já que pior não tem como vir a sê-lo, o máximo que se poderia esperar dele é que viesse a promover um governo que fosse ao menos diferente. Vai que, mudando as moscas, o estrume instalado cheire melhor e para ele se descubra melhor serventia, como fazer adubo, por exemplo.

Bem diferente de Emer, que fala pouco, e que sequer sabe usar as redes sociais, o odontólogo Francisco Lima parece ser o até aqui pré-candidato a prefeito que melhor soube, e melhor sabe usar esta utilíssima e atual ferramenta também política que é internet por intermédio das redes sociais. Mas isso não o credencia a trazer preocupação no processo da eleição para prefeito. Apontado, como dito acima, como um dos três candidatos a vereador mais bem posicionados financeiramente nas últimas eleições, Francisco Lima não conseguiu obter nada além que pífios 28 votos em 2012, provando que ter dinheiro nem sempre significa ter votos.

Evidente que Francisco Lima teria bem mais que 28 votos como candidato a prefeito na eleição de outubro próximo. Mas considerar que o ter pegado carona na insatisfação total que Ana Preto e seu governo empresta à opinião pública é bastante para conferir-lhe um start de 10.000 votos para pensar em estar com condição de pelo menos pagar placê, existe uma distância quase que da Terra a Plutão. Há que se considerar, entanto, seu otimismo que, se não for obra de um narcisismo que aparenta demonstrar nas poses que faz em suas fotos de perfil nas redes sociais, passa a ter sua validade pelo direito que Francisco Lima tem, como qualquer cidadão, de vir a pleitear nas urnas qualquer cargo eletivo, desde que esteja em dia com suas obrigações perante a Justiça e à sociedade.

Se acredita que a ordem da qual faz parte teria por obrigação unir-se por seu anseio particular, o problema de Francisco Lima pode ser mesmo patológico. Afinal, o que não falta são maçons e crentes dentre os candidatos, e uma e outra – Maçonaria e Igreja – me parecem nunca terem elegido, sozinhas, quem quer que seja em Peruíbe.

Seu envolvimento com a política de Peruíbe serve apenas e tão somente para atestar que Francisco Lima, a par de não conseguir demonstrar efetivamente a que vem, e parecendo bem pouco disposto a meter a mão à burra para gastar seu rico dinheirinho numa campanha eleitoral, apenas prova ser ele também apenas mais um dos mesmos, assim como mais um dos mesmos são os vereadores José Ernesto Lessa Maragni Júnior (Zeca da Firenze), André Luiz de Paula (não é meu parente!), e Luiz Maurício Passos de Carvalho Pereira (Dr. Luiz Maurício).

Zeca, Luiz Maurício e André são três dos atuais vereadores que resolveram alçar voo buscando a cadeira do Executivo, e deixam lacuna importante no Legislativo, já que justamente os três podem ser considerados como o trio mais combativo dentre seus pares na Câmara Municipal no atual mandato.

Estes deixam suas vagas muito certamente para serem ocupadas pela mediocridade que teima em suprir com índice de pelo menos dois terços dos atuais vereadores municipais. E talvez por isso, e só por isso, deveriam merecer a reprovação pública, primeiro porque abandonam posto de sentinela importante para a fiscalização da coisa pública em Peruíbe, segundo porque sabem que dificilmente vencerão o mais importante obstáculo da corrida eleitoral que é a falta de recursos para fazer uma campanha, mas também – e principalmente – porque sabem de antemão que até que podem melhorar um pouquinho a administração municipal se forem eleitos, mas fazer milagre, não farão! Nenhum deles. Nem o diácono Zeca, mesmo contando com a bênção do Papa Francisco – ou do próprio Deus! (Não que não creia que Deus possa operar milagres de qualquer natureza, mas certamente não operará já que somente Ele conhece o âmago das más intenções que permeiam o coração dos homens).

Zeca, aliás, parece ter sido o primeiro deste trio de mosqueteiros a abandonar a espada dos ideais que até aqui vinha decantando ter por uma Peruíbe melhor, quando parece mesmo ter decidido aceitar vir a ser o vice na chapa liderada por Alex Matos. Dividido entre a ética na política (no seu sentido lato) e a moral teológica e eclesiástica (no seu sentido pleno), ambas parecendo cada vez mais distantes uma da outra, Zeca da Firenze não consegue esconder que esconde lá no fundo de sua alma um modus operandi nos bastidores da política municipal que em nada parece coadunar com o seu modus vivendi. Não há prova cabal que o destitua de sua fé ou mesmo de seu manto sacerdotal, mas somente o fato de vir se mantendo junto ao poder em momento que lhe é favorável, e se afastando quando os favores dele se afastam ou o poder cai em desgraça e ruína, já confere suspeita suficiente a Zeca para não merecer o apreço do voto popular, porque também ele não é além que mais um dos mesmos.

Não há maior exemplo do que aqui vai sendo exarado que o decenal comportamento político deixado para a história da cidade de nomes como José Carlos Rúbia de Barros (Carlinhos) e Nelson Gonçalves Pinto (Nelsinho do Posto). Ambos foram vereadores e presidentes da Câmara, e ambos foram também vice-prefeitos por pelo menos duas vezes. Ambos, enquanto tudo lhes ia particularmente bem, se mantiveram a posto em nome do pretenso bem comum; e ambos, assim que o vento lhes soprava contrário e levantava onda maior, não se demoraram em cair fora do barco, observando sempre que ambos nunca deixaram de comparecer no quinto dia útil ao banco para conferir se o salário de vice-prefeito vinha caindo direitinho na conta.

Neste quesito, aliás, Peruíbe é prodiga. Bastante pródiga.

O anúncio recente da união de Luiz Maurício e André de Paula numa só candidatura é fato de relevo, e merece mais atenção de analistas como este pobre escrivão do que de preocupação para os demais postulantes ao pleito de prefeito.

Como já definido, ambos deixarão vazios de difícil preenchimento de gente com a mesma capacidade e jaez na Câmara, já que ambos foram dentre os vereadores aqueles que conseguiram levantar a voz na defesa daqueles que lhes conferiram o mandato. Mas eles estavam sós. Eram os dois, mais dois ou três que se foram somando a eles assim que o barco de Ana Preto fazia água e ameaçava afundar lá do outro lado da rua.

Como crítica eu diria que faltou aos vereadores da oposição, capitaneados por Luiz Maurício e André de Paula, um mandato mais propositivo e menos discursivo. Talvez tenha faltado consenso, já que parece que pelo menos ao longo dos últimos meses os três maiores opositores do desastroso governo municipal muito mais se debateram entre si na busca de se afirmarem como candidatos a prefeito como já confessando vinham serem desde muito, do que buscaram o consenso por uma afirmação de propósito, senão para derrubar de vez a autora do caos, ao menos para fazer cessar o caos!

Aliás, permitam-me a digressão para lembrar que o sucesso de um governo, seja ele qual for, pode até interessar ao povo, mas à oposição pouco ou nenhum interesse empresta. Neste sentido sobram manipulares, discípulos de Maquiavel, réplicas insolentes de Rasputin, que até dão uma força para que as coisas não andem muito bem pelas bandas de seus opositores políticos.

Não basta o discurso, portanto. A ex-vereadora Onira é prova contundente desta verdade, principalmente ela que passou anos a fio ocupando a Tribuna para esbravejar e espernear, mas que, assim que assumiu o comando do Legislativo legou ao povo de Peruíbe aquele que parece ter sido o seu maior feito: granitar o piso da Câmara Municipal. O que passou disso foi a sentença árdua que a história lhe reservou: o ostracismo.

Como advogado que é, Dr. Luiz Maurício entende de leis e conhece o rito processual. Ele que agora é talvez o mais novo (em idade) candidato a prefeito dentre os demais pretendentes, leva consigo, na condição de vice, seu colega de vereança, o engenheiro André de Paula (este contando com a bênção do experimentado quatro vezes prefeito de Peruíbe, Benedito Marcondes Sodré, seu sogro). É uma dupla eivada de boas intenções, e eu arriscaria dizer que até um tanto quanto inocentes, se bem que virgindade não seja uma coisa que teime em ser perpétua, mesmo em noviças e noviços; ou, como repetia o falecido Alfredo Fortino, ex-vereador com quem trabalhei em minha adolescência: “Todo mundo é honesto; até a véspera!”.

Um estigma persegue o ilustrado vereador e nobre operador do Direito: a ameaça da falta de apoio de seu partido em razão de ele mesmo, e todo o diretório municipal do PSDB, nunca terem apoiado o tucano mais bicudo da região, que é ninguém menos que o deputado Samuel Moreira que tem a bênção de ser nomeado tucano-mor pelo próprio governador Geraldo Alckmin.

Vencidos estes obstáculos, se eleito, ninguém poderá dizer que eleito foi alguém diferente. Dr. Luiz Maurício também joga no time dos mesmos. Pode até ser atacante, mas joga.

E já que falamos em “pagar placê”, a mim me parece que corre por fora deste páreo pelo mesmos dois ou três nomes que são os que menos são dos mesmos, embora continuem sendo também dos mesmos. Qualquer deles que porventura vier a ganhar a eleição não terá sido porque “pagou placê” – eram azarões mesmos! Afinal, no hipismo, além de cavalos e éguas, também há zebra!

No campo das propostas é impressão que se me dá que, destes, o que melhor está, senão preparado, ao menos inteirado dos problemas municipais, notadamente na área da saúde, é o médico Valdez Lopes da Silva (Dr. Valdez).

Dr. Valdez também foi candidato a vereador nas eleições passadas, obtendo 366 votos, 338 a mais que seu colega Dr. Francisco Lima. Os dois se juntaram ao vereador Rubens Rodrigues Gomes Júnior (Dr. Rubens) para se apresentarem como os três únicos candidatos que apresentaram declaração de bens com valores acima de R$ 1 milhão em 2012 (veja aqui).

Servindo o município com médico há muitos anos, Dr. Valdez chegou a ser convocado para assumir a secretaria de saúde de Peruíbe no início de 2013 pela prefeita Ana Preto. Sua gestão à frente da pasta foi brevíssima: Inconformada por não o ver na equipe que fez sua primeira viagem a Brasília, Ana Preto demitiu Dr. Valdez através de um telefonema, a partir do aeroporto mesmo.

Como parece mesmo que “vingança é um prato que se come gelado”, imagina-se que Dr. Valdez tenha esperado por três longos a desajustados anos para levar a efeito sua candidatura, desta vez a prefeito.

A contabilidade dos pleiteantes chega, portanto, a meia dúzia de candidatos a prefeito, pelo menos. Nenhuma mulher. Nenhum negro. Nenhum representante das minorias, das classes populares, dos mais pobres. Todos almofadinhas. Destes, o único nascido e criado na periferia da cidade é Alex Matos. Mas também ele um representante da classe média-alta de Peruíbe.

O número maior de candidatos tem a tendência de fazer repetir a eleição de 1996. Na oportunidade, com a corrida eleitoral sendo marcada por também meia dúzia de candidatos, acabou vencendo quem vinha sendo apontado como último colocado em todas as pesquisas, a ponto de Mário Covas, governador do Estado à época, chegar a sugerir que ele desistisse do pleito. Seu último comício foi feito em cima da carroceria de uma Toyota, com a presença de apenas 17 pessoas ali na “praça redonda”. Mas o que ninguém acreditava aconteceu: Dr. Alberto Sanches Gomes venceu aquela eleição, com 5.650 votos, deixando embolados logo atrás, Gilson Bargieri (4.509 votos), Carlinhos Rúbia (4.415 votos) e Mário Omuro (4.299) votos. Embora 29% dos votos válidos daquele ano (quase um terço, portanto) tenham conferido vitória a Dr. Alberto, impressiona o percentual de participação nas urnas dos demais, todos na casa dos 23%.

O percentual da vitória de Dr. Alberto é quase 10 pontos menos que o da eleição de Ana Preto em 2012, que teve 38% dos votos válidos; mas a polarização com Milena Bargieri (33%) e a professora Onira (29%) testemunha em favor de que quanto maior o número de bons candidatos, maiores são as chances de se vencer um candidato de quem pouco ou nada se possa esperar.

Afirmei acima que acredito na polarização de Alex Matos e Emer, chegando juntos nas urnas em outubro. Se Gilson vier mesmo a ser candidatos, serão então três disputando “cabeça a cabeça” o voto do eleitor. Mas qual o maior perigo de se estar por cima? Evidente que é cair. E, estando no alto, onde se possa ser bem visto, torna-se alvo fácil para as pedradas. Desta sorte, basta um “fato novo” (e olha que nem precisa ser exatamente fato ou verdade) para que a derrocada venha com a velocidade de uma barragem se rompendo, ou de um tsunami.

Foi assim em 1996. Enquanto Carlinhos, Gilson e Mário Omuro gastavam toda munição de que dispunham para disparar contra um e outro, o pacato Dr. Alberto amassava lama, só e pessoalmente, a visitar as casas, sempre vestido de branco e calçando sandálias, para pedir votos. Nada de marqueteiro. Nada de bajuladores. Nada de ostentação. Faltando dois ou três dias para as eleições um jornal rodou pela cidade onde não faltou farpas, verdades e inverdades sobre todos os demais candidatos. Menos para Dr. Alberto (decerto pensavam que “ninguém joga pedra em cachorro morto”). Resultado? Dr. Alberto ganhou a eleição.

Feitos semelhantes vieram a se repetir em 2000 (com a eleição de Gilson Bargieri), 2004 (com a vitória de José Roberto Preto) e em 2012 (com Ana Preto vencendo o pleito). Nas três os candidatos que já até ensaiavam como iriam sentar na cadeira de prefeito perderam as eleições, na véspera, vitimados por eventos de última hora.

Este é o perigo da polarização da eleição em torno de dois ou três nomes. E é a chance daqueles que aparentemente correm em último lugar ou por fora do páreo.

A conclusão a que se chega, é que mais uma vez o povo elegerá, então, mais um dos mesmos. Com cada vez mais pessoas que viveram os primórdios da história político-administrativa do município indo embora ou morrendo, parecer não restar dúvida de que a sorte e o destino da cidade estejam mesmo entregues a forasteiros que não contam mais de uma dezena de anos na cidade. Estes haverão de votar não pelo que sabem ou conhecem, mas pelo que ouvem dizer. Lamentável.

Falta a Peruíbe eleger para prefeito não um dos mesmos políticos de sempre, mas um dos mesmos cujas famílias estejam por estas plagas por 30, 40, 50, 60 anos, e que ao menos saibam seu hino de cor, as cores de sua bandeira e o significado de seu brasão das armas.

Sem amor, sem paixão, não há dedicação. Que o bom Deus salve Peruíbe de mais quatro anos de atraso, desespero e corrupção.

Washington Luiz de Paula

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