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De nome em nome, morre Adelino Soromenho

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adelino soromenho

Recebo, com muito aperto no peito, a notícia do passamento do colega Adelino (Daniel) Soromenho (foto), idealista e sonhador proprietário do Jornal “De Mão em Mão”, de Peruíbe.

Não éramos exatamente amigos, e chegamos mesmo até a ver estremecida nossa relação pessoal em certo tempo. Mas, como tanto ele como eu não teríamos porque guardar rancor um do outro, acabávamos por conversar numa boa, como se amigos fôssemos.

Mas eu admirava o Adelino. Principalmente por sua coragem e força de vontade em continuar teimando – ele e sua surrada bicicleta – acreditar que havia um quê de boa vontade, afinal, naquele comerciante que fazia um anúncio com ele em seu jornal, ao custo de míseros R$ 20,00, e o mandava voltar “n” vezes para receber, alegando ora não ter dinheiro, ora outra não ter cheque, ora outra aquelas desculpas que eu, por muito menos, desisti antes que mandasse o que convencionei chamar de “esse empresariado mesquinho de Peruíbe” à ponte que partiu!

Embora não brasileiro nato – ele era de Moçambique – Adelino foi o precursor do jornalismo de variedades e de classificados de Peruíbe. Seu jornal nascia da febre instalada a partir do advento do nacionalmente famoso “Primeira Mão”. A palavra de ordem era o classificado, e não mais a política, da que soe acontecer se verem financiados e sustentados os veículos de imprensa em cidades como Peruíbe. Isto, por evidente, causou certa inveja no mercado, e houve momentos em que até eu mesmo me deparei despeitado porque, afinal, via no jornal do Soromenho muito mais publicidade do que no meu. Não obstante, a autocrítica me fez acordar para o fato de que a conquista de Adelino era fruto de seu trabalho árduo, cansativo, mas não desistente. Assim, a mim, por preguiçoso, não restava outra coisa que a resignação.

A última vez que estive com Adelino Soromenho foi há alguns meses, creio que no início do ano passado, à porta da casa daquele que tem a chave do carro-forte da administração municipal. Eu esperava a audiência marcada, para que fora de São Paulo a Peruíbe especialmente para este fim, e eis que chegava Adelino, com sua decenária bicicleta. Viera para receber o que prometido lhe fora em função de suas publicações oficiais em seu jornal, e me perguntava, com ar de uma sinceridade quase ingênua de criança: “Eu posso confiar nessa gente?”. Como resposta, apus minha fiança de que ele não teria o que temer, que receberia o que tinha para receber, sim. Adelino furou a fila, e recebeu, e saiu contente, satisfeito, sorridente e agradecido a mim por conta de minha palavra.

Algum tempo depois, entanto, Adelino protagonizava um inusitado fato que só não marcou mais e melhor a história de Peruíbe, porque Peruíbe não tem história: mandou fazer uma faixa bem grande na qual dizia estar em “greve de fome”, instalou-se em frente às prefeitura e câmara, e ficou ali esperando que lhe pagassem o que prometido lhe fora, e que atrasado estava, ao que parece, desde aquele dia em que nos vimos lá naquela rua escondida e sem saída do Arpoador.

O fato chamou até a atenção da grande imprensa que veio em socorro de Adelino (veja aqui) antes mesmo que a administração municipal acordasse para a vergonha a que se expôs, expondo, mais uma vez, a cidade ao ridículo de não ser pior, nem melhor, mas apenas diferente, repetindo o saudoso Pettená.

Até nisso Adelino Soromenho teve a coragem que eu mesmo – confesso – não teria, embora vontade não me falte de escancarar que eles também me devem, assim como é de supor e pressupor dever para toda a imprensa da cidade, esta imprensa nunca respeitada, nunca fomentada em sua constitucional liberdade de expressão, antes comprada e amordaçada por algumas migalhas que sobejam à mesa farta dos poderosos.

Sabem eles – os políticos, porquanto isso, que se expor assim como ousou o Adelino é quase o mesmo que dizer: “eu me vendi também; me vendi, e não me pagaram!”, e ai a vergonha, aquela que é a herança maior que nossos pais nos deixaram, não nos permite mostrar que, porque recebemos dinheiro não declarado, sem recibo ou nota fiscal, das mãos dos políticos, nos igualamos a eles, e nossa bunda fica suja também!

No contraponto desta delicada questão está a sobrevivência. E repito aqui o saudoso Oswaldo Herrera que dizia: “Eu trabalho porque quero – quero comer!”. Sim, eis o ponto: quem vive da imprensa em Peruíbe, se acabar não sendo corruptível e cooptável, vive mal e parcamente de seu trabalho somente para comer mesmo.

Consoante isto nunca censurei o feito quixotesco do Adelino, e até mesmo o aplaudi, aplauso que renovo agora, nesta homenagem póstuma que lhe rendo.

Adelino Soromenho se junta agora aos muitos outros plumitivos de Peruíbe que se foram. Está já com Manoel Mota Neto, Eduardo Bastos, Félix Pinheiro Rodrigues, Milton Pedra Beccaro, Osvaldo Herrera, o pioneiro José Bruno Filho, Abran Jacob Wizentier, Eládio Elói Pessoa de Barros, e outros cujos nomes não me recordo. Pena que apenas se passarão semanas, e eles restarão esquecidos, como esquecido logo ficam todos os notáveis que fazem a história de uma cidade que teima em continuar não tendo história.

Para os que recebem Adelino Soromenho lá no céu, e para os seus amigos que aqui ficam, repito o quase epitáfio que ele mesmo publicou em seu perfil no Facebook em outubro de 2012:

Olá pessoal. Sinto que voltei de um longo retiro forçado e me sinto feliz por conseguir voltar. Um grande abraço para todos do tamanho deste planeta. Por favor não tentem me entender porque nem mesmo eu consigo me entender.

Que o bom Deus o receba, Adelino. Não creio que demore muito em nos encontrarmos novamente. Portanto, até breve.

Washington Luiz de Paula

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