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Liso, leso e louco. É como termino o ano.

MEGABINGOMANIA

Procuro aqui esta expressão antiga que, de tão antiga, ouço desde criança, há mais de meio século, portanto. O Tio Google ma mostra assim, como enunciado no título em epígrafe; mas eu a tinha por diferente: duro, leso e louco, o que é, no sentido amplo, a mesma coisa, a mesma coisa que pretende enunciar, ou que pretendo enunciar eu, que termino 2015 como venho terminando os últimos anos nas últimas décadas exatamente assim: duro, sem um puto no bolso, ou, como querem os mais politicamente corretos, sem dinheiro algum; mas também leso, por não ter aprendido fazer com que meu raciocínio acompanhe com celeridade aquilo que meus sentidos já sabem serem não menos putos (não obstante, abastados), a horda de políticos a que venho servindo sistematicamente ano após ano; mas também louco, por me adiantar na intempestividade de cometer os desvarios pelas letras que escrevo, algures e alhures, quando quero atingir alguém ou alguma coisa.

Mas não é só a classe política que me aborrece, não. Antes, me aborrece todo aquele e aquela que acha e que continua achando que escrever, por suposto ser fácil e “mole”, não é digno de seu auspício pecuniário.

Por conseguinte, sinto-me cansado neste ocaso de mais um ano que se finda, e nada esperançoso de que o ano que começa melhore a cabeça de todos quantos não se cansam de elogiar minha lavra, mas não são capazes de meter a mão à bolsa para colaborar para que eu e meu trabalho não sofra solução de continuidade. Aliás, até parece que não o fazem porque torcem mesmo pelo meu fim, seja pela desistência de teimar no entendimento de que, afinal, em alguma coisa tenho sido útil à cidade que, embora não seja a minha cidade natalina, ainda assim é a de meu coração; seja porque morro mesmo.

Tenho escrito destas lamúrias há muito, e elas não reverberam em lugar nenhum. Não há caixa de retorno em qualquer político, empresário, familiar ou amigo, senão em escassas e muito esporádicas contribuições que receio confessar que mais atrapalham que ajudam. São como aquela cenoura amarrada dois palmos à frente do nariz do burro que, achando que vai alcança-la uma hora, corre e mil – e puxa a carga! – sem que nunca a alcance, senão quando termina o dia em que, por fim, a ganha para poder comê-la igual prêmio de consolação.

Está aqui um burro, portanto. Meu pai já dizia deste seu primogênito filho que “inteligente ele é; só não sabe ganhar dinheiro”. E é verdade. Triste verdade. Mas, muito mais triste que a verdade que esta assertiva paterna encerra, é a sina de um dia ter me visto preso ao visgo da política, embrenhado na teia de um lugar onde mais nunca pude sentir senão ver que grande parte dos políticos são como os bagres ensaboados, difíceis de se segurar, que vivem na lama, mas que são gordos, muito gordos pelo que comem dos despojos usurpados à coisa pública.

A grande questão agora, posto que a penúria financeira parece mesmo perene, é saber se, afinal, posso ter alta depois da terapia que estes anos todos me impuseram, curado, portanto, do ser leso. Oxalá possa. Mas me permito ser louco ainda por um pouco, o bastante para apagar de meu trabalho toda e qualquer menção aos políticos de Peruíbe que ultrapasse a linha daquilo que fizeram para o bem ou para o mal público, desde que tenham sido por minha iniciativa. E as enquetes que levei ao ar no blogue até aqui são um exemplo desta minha iniciativa que tanto trabalho e dor de cabeça me causou, mas que, não obstante a grande expectativa que gerou nos mais de 6.000 votos que alcançaram até aqui, em nenhum momento provocou sequer a curiosidade em quem quer que fosse para perguntar quem estaria patrocinando este delicado e árduo trabalho, ou mesmo para se manifestar em favor de alguma ajuda que fosse para que elas lograssem continuar sendo publicadas e tabuladas.

Estou aqui pensando se não seria interessante começar meu ataque de fúria, raiva e rancor, por elas. Quem sabe as apagando todas, deletando-as todas, sem deixar vestígio algum. Não creio, ademais, que alguém até por isso se importasse, ou desse o braço a torcer para dizer que fez falta. Experimentei isso quando cheguei a ficar duas semanas inteiras com meu blogue fora do ar por estar sem dinheiro para pagar o provedor de hospedagem, período em que não recebi um telefonema, um e-mail ou uma manifestação nas redes sociais indagando sobre o que teria acontecido comigo e/ou com meu trabalho.

É isso. E querem saber? Vão todos à merda! Cansei. E o que mais desejo de mim para mim mesmo é que 2016 me seja o ano da minha redenção, mas sobretudo o ano de minha alforria dessa coisa nojenta chamada política, feita de homens e mulheres não menos nojentos.

Que eu continue liso. Que eu continue louco “por eu ser assim”, para repetir Raul Seixas. O dinheiro pouco ou nada importa; a loucura produzida pela lucidez de se encontrar autêntico naquilo que faz, e no modo como vive, importa, e importa bastante. Afinal, “mais louco é quem me diz, e não é feliz; não é feliz”. E ser feliz é poder, sem maldade ou malícia, e mesmo sem hipocrisia, mandar um estalado beijo na bunda (com a devida licença de “Gordo Dib”, meu querido amigo) de todos aqueles que ainda me querem bem, ainda que só um pouquinho. A estes, sejam felizes em 2016! E sempre.

Washington Luiz de Paula

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