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Não morra!

MEGABINGOMANIA

Caro amigo, não morra. Mas, se tiver que morrer, dê-se um tempo a si mesmo a resolver, de si e para si, os seus problemas, as suas neuras, os seus devaneios, as suas ilusões, os seus vícios, extirpando, antes de ir-se deste mundo, todas aquelas mentiras que você já se acostumou a contar para você mesmo, e lhe faz achar sentir-se bem. Resolva, antes de morrer, estes assuntos que são seus, e bem internos, mas que tanto tem magoado todos aqueles que o amam.

Caro amigo, não morra. Mas, se tiver que morrer, não queira levar consigo seus bens e patrimônio. Pode ser que eles não caibam na urna funerária que o agasalhará até a morada perenal deste seu corpo que você sabe ser pó, e que ao pó tornará. Não corra o risco de ver sua tumba violada por aqueles que acham que irão encontrar nela todas as riquezas que colecionou em vida.

Caro amigo, não morra. Se puder, ainda por um pouco, viva. Viva! Mas, viva bem; bem com você mesmo, bem com sua consorte amada, bem com sua prole linda. E, se benevolência lhe sobrar, viva um pouco bem com seus amigos, que podem ser poucos, mas são verdadeiros.

A fantasia a que a gente se entrega às vezes é como a poeira que o vento espalha. O vento… você não sabe de onde ele vem, para onde ele vai; ora ele vem desde o oriente seguindo ao ocidente; às vezes assume sentido contrário; vezes outra, para e decide traçar nova rota, rumando para o sul ou para o norte. E, em seu caminho, vai encontrando vidas; vidas como a sua que gostam de sonhar; vidas como as daqueles que se deixam dominar pelos vícios dos devaneios e das incertezas, e sofrem, porquanto isso. Sofrem e fazem sofrer.

Das fantasias que acolhemos em nossa alma, e muitas vezes alimentamos e fazemos crescer a ponto de não dominarmos mais, a paixão é uma delas. Oh, sentimento doentio esse! Oh, sentimento assassino esse! A paixão é uma ladra que vive a roubar vidas e corações, a alimentar desejos e volúpias no mais das vezes impossíveis de se fazerem reais e que… mata! Por isso, meu amigo, é que lhe peço, e repetidamente lhe imploro: não se deixe matar!

Morra se tiver que morrer, mas morra de amor, morra por amar. Mas não leve consigo o remorso de, por ter sido cruelmente morto pela paixão, antes acabar vendo quem verdadeiramente lhe ama acabar morrendo de amor.

A que estado de alienação fatal tem levado você esta paixão que você deixa crescer em sua mente, a ponto de ter-lhe tomado suas entranhas, ter-lhe roubado a saúde, ter-lhe deixado neste estado de vitupério e opróbrio? Medite você consigo mesmo: vale mesmo a pena? Não seria a musa distante mais uma dentre as milhares e milhares de musas que o campo das impossibilidades pode medir como se algumas ou todas elas pudessem um dia lhe completar ainda que por alguns minutos?

A paixão é como uma prostituta de luxo. Cobra um preço alto, muito alto, bem alto, para lhe dar prazer efêmero, passageiro, fugaz. Em contrapartida, o amor… “o amor faz sorrir; o amor faz chorar; ora faz esquecer; ora faz relembrar! Que segredo esconde o amor?”, como bem lembrou o poeta Antonio Bruno. Outro poeta, Paulo de Tarso, lembra que “o amor é paciente, o amor é bondoso, não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. O amor não cobra nada de quem ama para amar, e o prazer que produz dura para sempre.

O amor não mata; mas pode-se morrer de amor. Por isso, meu caro, não morra. Temo que venha a morrer agora porque sei que se agora você morre, morre não de amor, mas morre mortificado pela paixão que teima querer antecipar-lhe em levar você de nosso convívio.

A principal evidência de minha preocupação é esta: tal e qual um viciado em drogas, em jogo, em sexo, em comida que sabe que a continuidade do vício lhe faz mal, mas continua mentindo para si mesmo dizendo que “eu tenho que parar, mas não quero parar”, você também sabe que o vício que o consome o está tirando de nosso meio a passos largos, e, mesmo você dizendo não querer morrer, ainda assim, você continua, e ainda assim afirma: eu não quero parar com isso! Não quer? Claro que quer. Você só não admite para si mesmo que quer, mas que quer parar, isso quer!

Por isso meu amigo, não morra. Antes, acorde! A manhã está linda, o tempo está propício. Este é um novo dia: o dia do recomeço. É difícil? Eu sei; não é fácil mesmo. Mas não se transpõe esta montanha se você não der o primeiro passo. E o primeiro passo eu não posso dá-lo por você.

Não morra, caro amigo!

Washington Luiz de Paula

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