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Sodré completa todos os anos pensando no penta

Sodré (sentado) posa ao lado dos filhos durante almoço comemorativo de seus 86 anos no Restaurante Brisamar (Crédito: Lelo Fotógrafo)
O quatro vezes prefeito de Peruíbe, Benedito Marcondes Sodré, completou 86 anos nesta semana (23) com aparente vigor físico e confessada vontade de ainda se comparar à seleção brasileira com seu penta campeonato mundial, e vir a ser ainda prefeito de Peruíbe pela quinta vez.

Parece brincadeira, mas não é. Da penúltima visita que fui a Peruíbe pude encontra-lo cruzando a pé, pela milionésima vez em sua vida, a confluência das avenidas São João e 24 de Dezembro, em frente ao antigo Posto Três Coqueiros, quando lhe perguntei se ele seria candidato em 2016, ao que ele respondeu como fez, aliás, todas as vezes em que foi candidato prefeito – e ganhou: “Ora, se o cavalo passar encilhado… eu monto!”.

Para o filósofo Weber Laganá Pinfari, outrora desafeto político e hoje amigo de quatro costados dele, Sodré não pode ser contado em anos com os que a gente está acostumado a contar; para ele, Weber, Sodré completou TODOS os anos, talvez tentando explicar que Peruíbe está para Sodré tanto quanto ele, Sodré, está para Peruíbe: o  TODO de seus anos, portanto, é o TUDO que é Peruíbe hoje.

Aliás, desafeto por desafeto dele, eu também fui, meu pai também foi, minha família também foi, e muitos dos destemidos enfrentadores dos protegidos dos militares  – e Sodré era um destes “protegidos” – na época em que vigia o AI-5 pós Revolução de 1964, dentre os quais destaco o ex-prefeito Mário Omuro, também sempre foram desafetos de Sodré. Mas desafetos políticos. Desafeto pessoal nós nunca conseguimos ser, por mais que ele mesmo, em pessoa, tivesse nos perseguido, e até mesmo chegado em pegar em arma para me matar no ano de 1982 por conta de um panfleto apócrifo que soltaram na rua naquele ano de eleição municipal cuja autoria a mim foi atribuída. Anos depois, o emblemático e já falecido Joaquim do Val (Quinzinho), viria a me contar esta história, confessando então que não poderia ter deixado Sodré cometer aquela sandice contra minha vida porque fora ele, Quinzinho, e Nicolau Cucky Filho, e Milton Quadrado (todos já falecidos), os autores do tal panfleto que atribuía a Sodré poderes que, se relatados hoje, deixaria o Viagra e a maca peruana no mesmo padrão nutritivo da manema.

Em tese, não há como se conseguir ser desafeto pessoal de um caiçara! Por isso, podemos atribuir a essa santa ingenuidade quase inocência do caiçara o fato de podermos hoje dizer que somos amigos – eu e Sodré –, exatamente como sempre fomos, embora que por alguns momentos não ou soubéssemos: amigos! Nem eu. Nem ele.

Mas eu estou aqui, e Sodré também. Os quase 30 anos que nos separam não me diminuem em nada, mas o engrandecem em muito. Afinal, Sodré conseguiu um feito que políticos da estirpe nacional como Maluf, Orestes Quércia, Sarney e o próprio ex-presidente Lula não conseguiram, que foi o de nunca ter perdido uma eleição em sua vida, o que é notável e mereceria uma página no Livro dos Recordes. Eu mesmo perdi duas eleições como candidato a vereador (em 1982 e 1988); enquanto ele, que foi vereador emancipador (1960-1963), foi também vice-prefeito de Albano Ferreira de 1964 a 1967, tendo terminado aquele mandato como prefeito dada a renúncia de Albano, jamais viria a perder uma eleição. Em 1972 ele se elegeu para seu segundo mandato, cumprido de 1973 a 1976, tendo Aléssio Lacerda como seu vice. Em 1982 ele se elege para o terceiro mandato (1983 a 1988), com Wilma Carmen Castan como vice-prefeita. O quarto e até aqui último mandato de Sodré foi conquistado 10 anos depois, em 1992, mandato este cumprido de 1993 a 1996. José Carlos Rúbia de Barros (Carlinhos) foi seu vice durante este mandato.

Mas o que aconteceria, afinal, se Sodré viesse a se candidatar para seu quinto mandato, em 2016, mesmo aos 88 anos de idade? É uma incógnita. Evidente que seu eleitorado antigo não teve paciência de espera-lo para vê-lo enfrentar tal e qual um paladino a horda do poderio econômico que toma de assalto a cidade cada eleição. Mas, tal e qual há por este país afora um sentimento crescente de que no tempo do regime militar as coisas andavam com um pouco mais de ordem e decência por este nosso querido e amado Brasil, é muito possível que se consiga incutir no consciente coletivo – principalmente de nossos jovens – de que os quatro governos de Sodré à frente da prefeitura de Peruíbe deram certo, e dele não restaram, afinal, histórias horripilantes como estas que se ouve em cada esquina de Peruíbe dando conta de desvios, de corrupção e de demais crimes de lesa municipalidade, é bem possível que Sodré venha a causar estrago nos interesses espúrios, estranhos e no mais das vezes inconfessáveis do status quo vigente, e até venha mesmo a vencer a eleição para cumprir seu quinto mandato.

Quem acompanhou os governos de Sodré com visão crítica e oposicionista como eu fiz, sabe que Sodré exerceu mandatos centralizadores. Geria a prefeitura como se de ele mesmo fosse propriedade. E sua autoridade sobre a administração municipal chegava ao exagero de levar para casa, no bolso da calça, as chaves das ambulâncias, para não permitir que delas se fizesse uso inadequado e não autorizado.

Exageros à parte, Benedito Marcondes Sodré parece ter provado para as melhores escolas de administração que se tenha por ai, que é muito possível sim ser administrador por vocação. Seus estudos não avançaram além dos primeiros anos primários e de um curso técnico de topógrafo. Funcionário público estadual do DER – Departamento de Estradas de Rodagem, o antigo “topógrafo de orelhada”, como ele mesmo sempre fez questão de se autodenominar, usou de seu inato tino político e de seu ainda que parco conhecimento técnico para conduzir Peruíbe ao que a cidade era até quando deixou o governo pela última vez. De lá para cá… bem, ainda que o progresso de Peruíbe esteja a olhos vistos, a mim me parece hoje que Peruíbe está sim bonita, mas tal e qual um sepulcro ornado de granito, mas que tem por dentro não mais que podridão.

Faço aqui uma confissão para ficar gravada nos anais da história de Peruíbe. Eu que talvez tenha sido o maior dos seus algozes sinceramente vou me sentir balançado e bastante tendente a votar em Sodré caso ele se candidate mesmo nas próximas eleições. E se vier a votar nele será voto consciente – ainda que solitário. Mas consciente. Bem diferente, bem diferente dos votos que são dados hoje em dia aqui, ali, acolá, alhures e algures, em candidatos artistas e arteiros, ou “naquele que vai ganhar”.

Das histórias de fizeram Sodré virar personagem folclórico de Peruíbe, eu relembro aqui três e as relato, não com o condão de diminuí-lo ou “mangar” dele, mas para dar azo à minha teoria de que o caiçara, assim como o caipira, comete os atropelos verbais que comete, não por ser burro, nem por ser equivocado: mas por ser genuíno.

A mais famosa destas historietas talvez tenha sido mesmo aquela acontecida por ocasião dos 14 anos de emancipação político-administrativa de Peruíbe. Sodré era o prefeito e foi-lhe concedida uma oportunidade de estar no então mais famoso programa de televisão que era o “Almoço com as Estrelas”, apresentado pelo casal Airton e Lolita Rodrigues, na antiga TV Tupi Canal 4. Rendida as homenagens à cidade, o apresentador dá oportunidade a Sodré de falar, e ele solta esta frase, com uma simplicidade mais que surpreendente: “Quero aqui convidar a todos para as festas do ‘décimo quatorze’ aniversário de ‘Piruibe’”.

Doutra feita, quando Laudo Natel governador, este viera visitar a cidade, e foi levado pelo prefeito Sodré até o local das Termas da Lama Negra e Água Sulfurosa, no Jardim Veneza. Chegando lá, e ao pé da torneira de onde jorrava água sulfurosa que parecia não acabar mais, Sodré pega um pouco da dita água em um copo e a oferece ao Laudo Natel: “Governador, ‘escute’ o cheiro dessa água!”.

A terceira, não menos surpreendente, dá conta de um diálogo que teria havido entre ele, Sodré, e o “Boi” (Paulo Renato), frentista do Posto Três Coqueiros. Sodré manda colocar 60 Cruzeiros de gasolina no carro, saca o talão de cheque, pensa um pouco, coça a cabeça, e passa o talão e caneta pro Boi: “Preenche ai, que eu esqueci os óculos em casa”. O famoso frentista pega o talão e a caneta e pensa um pouco, coça a cabeça, e saca: “Prefeito, sessenta se escreve com ‘c’ ou com dois ‘s’”? O então prefeito foi rápido no gatilho: “Não encha o saco, faz dois de trinta!”.

Boatos ou não, o fato mais evidente de todos é um só: Sodré está ai. Muitos do que o amaram ou o odiaram já morreram. E, se fosse possível neste momento ouvir de Sodré qual o segredo para tamanha longevidade, certamente ouviríamos dele o seguinte: “eu simplesmente vivo a vida como ela é: bastante simples e sem se preocupar em querer parecer ser o que não sou, ou de querer ser o que eu não posso ser”. A receita, então? Viver a vida, não ter vícios senão de uma boa noitada jogando sueca e jogando conversa fora.

Portanto, ao Sodré de TODOS os anos, exatamente TODOS aqueles anos que se completa TODOS os dias, o melhor de meus amplexos. Que o bom Deus o contemple de vitórias em todas as aspirações que tem. Com essa confiança, tenha certeza: o penta não será o limite!

Washington Luiz de Paula

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