Home / EDITORIAIS / Por Peruíbe. Para Peruíbe. Com Peruíbe
DIB IMÓVEIS

Por Peruíbe. Para Peruíbe. Com Peruíbe

Jantei esta semana aqui em São Paulo com uma proeminente figura da política de Peruíbe, na oportunidade em que ele assumia importante posto na direção de um instituto que justamente discute as questões político-eleitorais, embora que, ao que parece somente no âmbito acadêmico e das leis.

Fazia-se ele acompanhar de seu fiel escudeiro.

A uma mesa do Hooters, entre um chope e outro, tudo alimentado por generosas porções de coxinhas e asas de frango à milanesa, temperadas com exagerada pimenta mexicana, o prato principal era, para não perder o azo e o costume, a política local. Nada mais indigesto, mas, tal e qual aquele óleo de fígado de bacalhau que tomávamos quando criança para tentar vencer a anemia, a política é comida que se tem de comer e beber, ainda que com cara feia.

De esperado perguntava-me ele: Você acredita na eleição do Alex Matos? Tudo porque o dito me vira fotografado ao lado do ex-vereador em matéria publicada neste blogue dias atrás, e logo tratou de provocar meus instintos que, se não tão aguçados quanto o dele, têm relevo nas quatro décadas que me dedico no exercício de pensar e no ofício de escrever a história política de Peruíbe. Se não por outra coisa, por isso só já mereço respeito.

A resposta requerida pelo meu interlocutor não poderia ser dada naquele momento em que os olhares estavam distraídos pelo passar de uma e outra garçonete nos trajes que notabilizaram a franquia do Hooters mundo afora. Mas a dou aqui. Por isso, aliás, dou-a aqui.

Ainda assim foi possível trocarmos as figurinhas que, se não fizeram-no entender as minhas razões e opinião acerca de mais um processo político-eleitoral em que Peruíbe tem a chance que nunca teve de ter, afinal, um filho da terra consagrado deputado federal, ao menos fizeram-me entender que engrossa ele uma plêiade de mandatários e ex-mandatários da cidade que não querem mesmo o bem do município e, consoante isso, tudo fazen e se esforçam para obstar as intenções de quem as tem boas, para Peruíbe, por Peruíbe, com Peruíbe, seja ele este ou aquele.

Meu encontro com Alex Matos aqui em São Paulo teve razão além de pessoal. Muito mais do que o interesse pelo trabalho que se vislumbrava – e eu também sou filho de Deus, e como e bebo como qualquer um dos que agora me leem –, eu que já vinha de analisar sua pré-candidatura desde cá da capital, neste meu exílio voluntário, tinha a curiosidade de ouvi-lo para saber onde estavam suas motivações, e a que se deu, afinal, esta dita de cair-lhe assim tão acentuadamente em seu colo esta oportunidade que, se não aproveitada agora, poderá ser que jamais chance outra terá. Eu queria sobretudo ouvir de Alex Matos – e isto era mais importante para mim para entender seu afã rumo ao Congresso Nacional – acerca de duas coisas: É Alex Matos, afinal, candidato a prefeito de Peruíbe em 2016?; e, quantos votos pensa Alex Matos ter em Peruíbe, ou precisa ter em Peruíbe para se somar aos mais de 60 mil votos que precisará para chegar perto de se eleger?

A provocação do meu patrocinador daquele jantar – sim!, para me ouvir tem que pagar a conta! – tinha respaldo no histórico de meu relacionamento anterior com Alex Matos que, digamos, nunca foi lá muito amistoso, principalmente motivado por seus laços bastante estreitos de amizade com Gilson Bargieri de quem acabei me tornando desafeto político sem que até hoje eu entenda bem o porquê disso.

Dizer que mesmo agora morro de amores por Alex Matos é mentir. Mas a vida e o bom Deus que já me deram metade de século e um tanto mais de anos me ensinaram a discernir onde começa o despeito a ponto de eu mesmo ter aprendido a dominá-lo para que não mais descambe na maledicência, na distorção dos fatos. Ah, quanto me arrependo de ter judiado de tantos com a facilidade de minha verve! Se não porque eu estava certo, mas ao menos porque hoje eu me pergunto: de que adiantou tudo aquilo se o ideal que eu persegui foi cruelmente pisoteado pelos conchavos que realizaram o milagre da união dos contrários, deixando-me no ostracismo por amigos e por inimigos, por afetos e por desafetos?

Logo é tempo de reiterar aqui que, se morro mesmo de amores por alguém ou por alguma coisa, a par de minha esposa que me atura a 31 anos comemorados neste quatro de junho próximo, é mesmo a cidade de meu coração: Peruíbe!; ainda que Pariquera-Açú seja a minha cidade de nascimento.

Ora, se penso em Peruíbe, por Peruíbe, para Peruíbe, com Peruíbe, tenho que pensar nas possibilidades de um dia ver o povo de Peruíbe seguindo o exemplo de pequenas cidades do interior paulista que conseguem, num momento como este, se unir em prol da eleição de um representante que tenha condições de, não só de se eleger, mas também de bem representar seu povo, seja na Assembleia Legislativa, seja na Câmara dos Deputados.

Reluto em crer no discurso da utopia! Prefiro crer e pensar que é possível sim que os quase 60.000 eleitores de Peruíbe conjugarão esforços para eleger o seu – o nosso – deputado estadual e o seu – o nosso – deputado federal. E não importa quem seja ele (ou ela), mas desde que apresente reais condições, e não caia no lugar comum daqueles que, ou são usados como joguetes por conta de interesses nem sempre confessáveis, ou entram para a disputa pensando mesmo em ver se sobra alguma coisa das verbas da campanha…

O que me é difícil entender é o discurso que a gente ainda consegue ouvir para justificar o lançamento de uma determinada candidatura. Ficou evidente, por exemplo, que o lançamento da pré-candidatura do vice-prefeito Nelson Gonçalves Pinto (Nelsinho do Posto) a deputado federal tem o feitio não de promover sua eleição, mas de se contrapor à campanha de Alex Matos que, para gáudio de uns e desespero de outros, não só é oficial-maior do staff do ex-prefeito Gilson Bargieri, como bem pode ele mesmo acabar de sagrando em popularidade a ponto de viabilizar sua candidatura a prefeito de Peruíbe em 2016, o que, naturalmente, não interessa ao atual governo municipal.

Eu ainda não ouvi o dileto amigo Nelsinho do Posto, a quem eu tantas vezes incentivei a que alçasse voo solo na política de Peruíbe. Mas a mim me parece que, ele entrando neste certame por este viés entabulado para desestruturar as bases de um oponente, continuará ele seguindo a triste sina de novamente ser usado como tantas vezes usado foi desde quando decidiu deixar sua vocação primeira que é o Legislativo. E Nelsinho sabe, com todo respeito que lhe devo, que ele não só não tem escopo para se aventurar numa eleição de orçamento milionário, como sabe que Ana Preto não tem liderança estadual que permita que ele entre em centena de cidades para buscar a expressiva votação que precisará para se eleger.

Não! Custo crer que entraria neste jogo descalço e com uniforme roto. Se entrar é porque, ou acredita no que me parece impossível, ou tem cartas na manga que até aqui desconheço (lembrando sempre que seu padrinho político está confinado em lugar de onde pouco ou nada poderá fazer para ajuda-lo), ou ele mesmo terá motivos para fazer o que puder ser feito para impedir que um candidato da cidade venha a se eleger deputado.

A preocupação latente é na retórica ouvida durante o jantar: “Para cada voto que Alex Matos conseguir, eu arrumo cinco para o Nelsinho!”. Lógico que se se fala de Peruíbe, do eleitorado de Peruíbe, o que, em número, seria mais ou menos pensar que, se Alex Matos vier a ter 5.000 votos em Peruíbe, a tropa de choque da prefeita Ana Preto arrumaria 25.000 para Nelsinho. E, aqui entre nós, essa é uma tremenda bravata, já que se Nelsinho viesse a conseguir o milagre da multiplicação dos votos para um só candidato, vindo a ter mesmo 25.000 votos, ainda assim esse número seria insipiente perto dos mínimos 60, 80 mil votos necessários para entrar no páreo para deputado, mas daria fôlego e ânimo para Nelsinho para ser ele, e não o Alex, e muito menos a Ana, o grande nome para a prefeitura em 2016. Seria um tiro no pé!

Alex Matos deixou claro duas coisas: não é candidato a prefeito em 2016, principalmente se vier a ser eleito deputado, e também porque não tem intenção nenhuma de se contrapor ao seu grande líder que é Gilson Bargieri, a quem costuma chamar de “eterno prefeito de Peruíbe” (Gilson já está em franca campanha para 2016, caso alguém ainda não tenha se apercebido). A segunda coisa é de que não precisaria de mais que 5.000 votos de Peruíbe para se eleger. Mas adianta: “Claro que se o povo de Peruíbe entender que eu tenho condições mesmo de me eleger e me ajudar me oferecendo bem mais votos do que eu preciso, eu sairei valorizado de minha cidade, e com condições de brigar muito por minha cidade lá em Brasília”, avisa.

O apoio que o deputado federal Márcio França dará a Alex Matos evidente que fará toda a diferença neste pleito. Eu assevero que foi um tremendo golpe de sorte de Alex. É um afortunado do destino mesmo. Há que se ponderar que Márcio França é o deputado federal que maior votação teve em toda a história do litoral paulista: foram mais de 215 mil votos em 2006 e 172 mil em 2010; e seu espírito de liderança logo o levou a compor o chamado “alto clero” do Congresso Nacional, a ponto de agora ele vir a ser cotado para ser candidato a vice-governador este ano. Se ele não for aprovado como candidato a vice, seu partido – o PSB – o indicará para ser candidato a governador mesmo.

Vê-se que há uma diferença da água para o vinho da fortuna que caiu agora no colo de Alex Matos como presente dos céus com a pretendida comparação do apoio de Nelson Marquezelli, também deputado federal, a José Carlos Rúbia de Barros (Carlinhos) para deputado estadual na campanha de 2002. Na oportunidade, Carlinhos obteve 10.458 votos, dos quais 6.898 em Peruíbe. O restante vieram de 117 outras cidades das 645 que o estado tem. No mesmo ano, Marquezelli teve 89.531 votos, dos quais apenas 1.210 em Peruíbe.

Claro que Marquezelli se elegeu. A bem da verdade, nem precisaria dos votos que lhe arrumaram em Peruíbe. Carlinhos, no entanto, ficou de fora. Mas a gente sabe que esta mecânica, ou como diria um amigo, esta “química” de lançar um candidato a deputado estadual numa cidade para que ele venha a ser uma espécie de “cabo eleitoral de luxo” já está para lá de manjada…

Voltando aos números, porém, e apenas para termos de comparação, Márcio França teve 2.885 votos em Peruíbe em sua primeira campanha (2006), e 5.774 votos em 2010. Diante destes números, tem mais o que dizer?

Fica evidente que Márcio França não se lançaria a uma aventura ao indicar Alex Matos como seu candidato a deputado federal. Alex é seu assessor em Brasília já há alguns anos, e a mim me parece ter se tornado uma espécie de “pupilo” daquele que o próprio Alex chama de “grande mestre”. É ponto de honra, portanto, para Márcio França elegê-lo. Quer queiram os políticos despeitados de Peruíbe ou não. Ou vocês acham que Márcio França está lá preocupado com o processo sucessório de Peruíbe para 2016? Ora, vamos e venhamos, não dá mais para ficar brincando desse joguete de comadres e compadres, por favor!

Diante do exposto tenho a eleição de Alex Matos, se ratificado seu nome como candidato mesmo nas convenções que haverão de se dar nas próximas semanas, como favas contadas. E eu conclamo o povo de minha Peruíbe a se unir a ele para que eu e você amanhã possamos ter orgulho de dizermos que um moço nascido em Peruíbe, que mora na cidade, que tem negócios na cidade, que tem família na cidade, será nossa voz lá no planalto central do país.

Aos contrários, em que pese que o exercício da democracia permita a que todos saiamos candidatos se o quisermos que analisem bem quais são seus verdadeiros propósitos e verdadeiras intenções. Lute, mas lute para vencer, e não pelo simples prazer de ver seu oponente caindo derrotado no solo, caindo você com ele. E, sobretudo, voe se tiver que voar, mas voe com suas próprias asas. Se você não tiver asas, não se dê que aquele que lhas emprestou as requeira de volta, ou tome de você, só pelo simples prazer de vê-lo estatelar-se no chão.

Ah, e da próxima vez vamos a uma churrascaria. É mais barato. E melhor.

Washington Luiz de Paula 

DIB IMÓVEIS

Sobre mrwash

Veja também

Tradição em consultoria de imóveis em Peruíbe – Toninho Góes Imóveis

Relacionado

Confiança conquistada em meio século de muito trabalho – Cícero Imóveis

Relacionado

Bando usa falso uniforme de carteiro e tenta assaltar agência dos Correios de Peruíbe

Ação em Peruíbe acabou sendo frustrada após um funcionário da empresa fugir assustado Bruno Lima, …