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Peruíbe: 55 anos de chuvas e enchentes

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As chuvas de janeiro, fevereiro e março em Peruíbe sempre são um grande transtorno. Atrapalham a temporada de verão, atrapalham as festividades de aniversário da cidade e atrapalham o Carnaval, seguindo por atrapalhar até mesmo a Páscoa.

Sempre foi assim. Não é primazia do governo Ana Preto fazer a chuva acontecer trazendo suas desagradáveis consequências para a população. Mas também não era culpa de Milena Bargieri, de Julieta Omuro, de José Roberto Preto, de Gilson Bargieri, de Alberto Sanches Gomes, de Benedito Marcondes Sodré, de Gheorghe Popescu, de Albano Ferreira ou de Geraldo Russomanno.

A nenhum dos ex-prefeitos em particular deve ser imputada a culpa de Peruíbe estar amarrada aos pés do magnifico cinturão verde da Jureia-Itatins de um lado, e da Serra do Mar de outro, que são pródigos em mananciais de águas e verdadeiras fábricas de oxigênio que, subindo aos céus, faz concentrar as nuvens da sempre benfazeja chuva. A todos eles, porém, deve ser atribuída a culpa pela falta de planejamento no trato com as obras públicas. E isto não é caso recente; é coisa que começou lá atrás, bem lá atrás.

Quando eu cheguei a Peruíbe, em 1967, não havia calçamento ou asfalto. Mas assim mesmo as enchentes ocorriam, embora em lugares determinados, como o Jardim Veneza, por exemplo – e ai está a razão daquele bairro se chamar “Veneza”. O Veneza sempre foi um bairro bem mais baixo que o nível geral da cidade (ainda hoje é, bastando passar na estrada para ver), e ainda hoje é cercada por dois dos rios de Peruíbe e também pelo mangue. Os governantes de ontem e a população do bairro acreditavam que bastava colocar calçamento ou asfalto que o problema das enchentes diminuiria. Ledo engano. Foi preciso desviar o rio para minorar a anunciada desgraça de todo ano daquela sofrida população, numa obra de engenharia que se fosse hoje os ecochatos não permitiriam.

Outros pontos isolados de enchentes eram encontrados, sempre à beira dos rios e córregos, e cito o início da estrada Armando Cunha e o córrego da antiga avenida Ubatuba, hoje avenida dos Expedicionários.

Ora, nós todos sabemos que a chuva em si, seja em que quantidade for, nunca deve ser considerado como um mal. Assim como sol, Deus manda a chuva sobre todos, bons e maus, e ela sempre haverá de ser motivo de bênção para alguém bem-agradecido. A questão, porém, são as enchentes e suas consequências danosas.

No caso de Peruíbe as enchentes não são primazia dos bairros pobres, e não atinge somente aquele que nunca “tem nada”, mas que, invadindo as águas a sua casa, “perdeu tudo”. A enchente causa transtorno e perdas também na principal artéria da cidade – a avenida Padre Anchieta – e o bairro mais nobre, onde só mora “bacana”, que é o Boungainvillée.

E a que isso se deve? De quem é a culpa, afinal? A culpa é da Ana Preto, prefeita? Talvez seja, ou talvez venha a ser daqui um ano ou mais. Agora, eu digo: não é tanto culpa dela quanto culpa também é dos prefeitos que passaram pelo paço municipal.

Nesta busca por culpados – o que o brasileiro faz sempre depois que o acidente acontece – há dentre estes também o povo que não consegue ter a educação para descartar melhor o seu lixo, e continua jogando móveis velhos no meio da rua, do mato, dentro de córregos e até no rio, muito embora caiba ao poder público também o gerenciamento e a fiscalização destes atos que evidencia os costumes de uma gente que prefere reclamar por ações mais presentes dos agentes públicos, não sendo capaz de se reunir na comunidade para ajudar a manter limpa sua rua, praça, o manancial de águas que está perto de sua casa.

Consubstanciado com isto encontramos a falta de planejamento quando do calçamento e asfaltamento da cidade, mas principalmente dos bairros periféricos. E ai sim a culpa é dos prefeitos e prefeitas que passaram por Peruíbe. Mas, insisto: ainda não é culpa de Ana Preto, atual prefeita.

Querer imputar culpa à atual prefeita pelo que a população “paga” hoje por erros cometidos no passado, quando mais uma chuva torrencial caiu sobre a cidade causando os previsíveis transtornos a todos – pobres e ricos – é mostrar o quanto se está cego e conduzido pela propaganda dos algozes da atual administração que tudo fazem para criticar, mas que não têm a coragem de dizer a que interesses servem, não arregaçam as mangas para ajudar no salvamento de vidas e de coisas daqueles que prestes estão a perder seus bens, e não abrem os olhos desta mesma população numa campanha que vise buscar soluções – e não críticas vagas – para que o problema de hoje não se repita amanhã.

Você que me lê agora de repente foi um daqueles que pediram urgência no calçamento de sua rua. Se anunciassem que o calçamento ou o asfalto seria precedido de estudo prévio de escoamento de águas pluviais, de obras para instalação de galerias subterrâneas, e que isto tudo demandaria dois anos para acontecer, você reclamaria. Então o prefeito (ou prefeita) vai lá e joga um caminhão de lajota sextavada ou de asfalto em frente de sua casa e a deixa uma beleza. Semanas depois a chuva vem, faz buraco no asfalto, desmonta as lajotas e as águas, não tendo para onde ir, invade sua casa, e você perde tudo. Triste não? Mas é esta a realidade de 90% dos casos de enchentes que nós vemos em Peruíbe, em Itanhaém, em Itariri, em São Paulo ou em qualquer lugar do Brasil e do mundo (Os Estados Unidos têm enchentes e enormes desastres naturais, assim como a Inglaterra, a França, o Japão…).

O início da pavimentação da cidade – lembro-me bem – se deu com as famosas lajotas sextavadas feitas de cimento e areia de construção. O trabalho de colocação destas lajotas era manual, e dava gosto ver esta verdadeira obra de arte que cobria a areia sobre a qual todos nós estávamos acostumados a patinar. O mato, contudo, teimava em crescer por entre as frestas entre uma lajota e outra, e o que poderia até dar um charme a mais à cidade com aquele verde enfeitando as lajotas desde que bem aparadinho, evidente, serviu de motivo de reclamação general, até que a prefeitura não encontrou outra solução que tapar as frestas com cimento. A gênese dos problemas com enchentes acontecia ai: a chuva vinha, as águas não tinham mais como se infiltrar entre as frestas das lajotas, corriam para as guias desprovidas de bocas-de-lobo, e iam parar no rego mais próximo. Quando não o encontrava, invadia as casas.

A “brilhante” solução viria depois, com o asfalto. A sanha e a saga sempre inconfessável de ex-mandatários de fazerem contratos absurdos para asfaltar toda a cidade ao toque da caixa, transformou a cidade no que ela é hoje: um enorme reservatório de águas a céu aberto, desde que as chuvas caiam como caíram ontem, e como continuarão caindo até março pelo menos. Betume de péssima qualidade, serviço de quinta com preço de primeira, uma passada de margarina sobre o pão das ruas maquiou Peruíbe, e a transformou, em dias de sol pelo menos, no sepulcro caiado, tão bonito por fora, mas por dentro uma podridão.

Pois bem. Chegamos aos tempos atuais. A revitalização asfáltica de vias da cidade a ser anunciada para ter seu inicio nesta semana de aniversário da cidade preocupa até o ponto em que se venha a saber que o que se vai fazer, ou se pretende fazer, seria a mesmíssima coisa que todos os ex-prefeitos e ex-prefeitas fizeram até aqui. Ana Preto que começa seu governo – com seu próprio orçamento – neste ano, tendo passado o primeiro ano de sua gestão administrando as mazelas do governo predecessor, deverá sentar no banco dos réus e deverá figurar o rol dos culpados se fizer o que até aqui tem sido feito, no que eu não creio. Mas isto a gente só vai poder ver amanhã, daqui um ano, dois, ou no ano em que ela pretenderá se reeleger.

Aqui, agora, hoje, Ana Preto não tem culpa. Ponham a mão na consciência e pensem: É justo sacrificá-la por não ter conseguido corrigir em um ano todas as mazelas feitas em 55 anos? Conheço um só que pagou com seu próprio sangue pelos erros cometidos por toda uma humanidade desde os princípios dos tempos até hoje, e Ana Preto, convenhamos, está bem longe de ser Jesus Cristo.

Ou será que você prefere estar entre aqueles que gritam por soltar Barrabás para que ele volte a cometer os crimes que cometeu?

Washington Luiz de Paula

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