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Parcial, sempre. Bajulador, nunca!

ADITIVO AUTOMOTIVO

Eu bem que queria ter escrito “puxa-saco” no título acima. Mas o corretor automático do Word me pediu para “tomar cuidado, evitando usar palavras de baixo calão” em meu texto, e alertou que “puxa-saco” pode ser considerado um “plebeísmo”.

Corri mais que depressa para buscar entender melhor essa coisa de “plebeísmo”, e me socorri do dicionário informal na internet, que foi solícito em me explicar que plebeísmo é um “vício de linguagem que consiste em se utilizar de expressões informais em demasiado, populares, incluindo gírias”. E alerta: “Trata-se de um erro dos mais graves em redações para vestibulares e concursos, posto que fere a língua padrão”.

De todo modo, eu que de cá costumo rebuscar meu texto em demasia, ao exagero em muitos casos, não deixei de sentir um tanto de preconceito no termo “plebeísmo” que busca raiz em “plebe”, que significa pobre, ou, in extremis, ralé. Afinal, nem só o pobre usa de termos chulos quando escreve ou fala, e a gíria e forçadas reduções ortográficas povoam a internet onde o acesso – se tem algo de bom nisso, é justamente isso – tem se revelado o mais democrático possível.

“Puxa-saco”, portanto, não é adjetivo exclusivo ao pobre. Pode até ser do pobre de espírito, mas do pobre enquanto sua condição social, não é.

A parcialidade, não obstante, é algo tão inerente ao gênero humano quanto perene com certeza o é. O ser parcial tem a ver com gostos e preferências, com torcidas e escolhas. Em alguns casos parece ser hereditária. Veja o filho que é torcedor doentio por um determinado time porque seu pai – ou mãe – torce por aquele time. Outro segue uma determinada tendência religiosa ou política porque seus pais são prosélitos fervorosos. (Por digressão, lembro aqui a história do ateu que batia no peito dizendo: “Eu sou ateu porque meu avô era ateu, meu pai era ateu, e meu filho – se Deus quiser! – vai ser ateu também!”)

Diante deste tema tão interessante, eu poderia retomar à clássica pergunta: que seria do verde se todos preferissem o amarelo? Ou que seria da música clássica se todos resolvessem tentar substitui-la pelo funk ou pagode?

Porquanto isso, levando o assunto para o campo da política, não deve ser de se estranhar que haja entre nós malufistas, ou aqueles que sentem saudades dos anos de chumbo – e dos militares, ou mesmo aqueles que se ressentem que Collor tenha sido cassado de sua condição de Presidente da República.

Não é diferente nas instituições. Sim, não é! E a explicação é simples: elas são geridas por pessoas que têm as suas preferências pessoais, ou mesmo por agremiações que têm orientações programáticas definidas por estatutos e regimentos que devem ser seguidos à risca. E a beleza da democracia – tal e qual um jardim florido onde há o que acha mais bonita a rosa em detrimento do cravo, e aquele outro vice-versa – está justamente nas multiformes manifestações que, embora divergentes em amplos aspectos, convergem para o pleno exercício da liberdade de escolhas, preferências e de expressão.

Assim, me confesso parcial. Sempre fui parcial. Já defendi minhas escolhas com unhas e dentes sem ganhar nada, e sofri dano moral e material por causa isso. Mas também confesso que sempre sonhei ser possível defender minhas preferências – e usar de minha verve para divulga-las – ganhando ao menos o que fosse indispensável ao meu sustento. Hoje eu posso dizer que ganho para isso, e estou satisfeito com o que e quanto ganho. Engana-se o despeitado que me acusa de “vendido”; confunde-se o invejoso que me imputa a pecha de bajulador, ou “puxa-saco”.

Dissertei um tanto sobre isso em meu editorial passado, onde resumi que “eu trabalho porque quero – porque quero comer”, repetindo o saudoso Oswaldo Herrera. Mas o gostoso de você trabalhar para ganhar seu sustento é fazê-lo por gostar, porque defende aquilo – ou aquele(a) – em que (ou em quem) você acredita, em que (ou em quem) você aposta, em que (ou em quem) você dá um mínimo de crédito, na esperança de que você não se decepcione mais uma vez. E eu posso dizer para vocês todos – meu admiradores e meus algozes – que eu estou disposto a apostar todas as minhas fichas neste novo governo municipal que está apenas se iniciando, com a mesma intensidade com que um dia acreditei em Mário Omuro, em Dr. Alberto, em Gilson Bargieri, em José Roberto Preto, na Dra. Julieta ou na Milena Bargieri que poderiam representar o diferencial para a cidade, não obstante ter me decepcionado enquanto munícipe, em maior ou menor grau com todos eles.

As fichas apostadas em Ana Preto são as mesmas; a diferença é que agora eu não tenho que investir do dinheiro que eu nunca tive para elogiar ou criticar: agora eu ganho para apostar na administração. Graças a Deus, ganho. E reputo ganhar bem. Muito bem. Oxalá não me decepcione com Ana Preto, porque, ainda que tenha ganhado para promover um governo que – repito – acredito que será de todo diferente – e melhor! – de todos os que já passaram pelo Paço Geraldo Russomanno, serei eu o primeiro a vir a público para dizer: não era o que eu esperava; não era o que Peruíbe merecia!

Mas, convenhamos, com um governo que mal começou a governar, criticar, vilipendiar, promover baixarias nas redes sociais, espalhar diz-que-me-diz-que pelas esquinas malditas da cidade, é coisa de viúvas desconsoladas, que ainda não acordaram para a realidade de que seus maridos morreram e não deixaram pensão alguma para comemorar.

Amparo-me em exemplos para justificar minha parcialidade. Um engenheiro de Eike Batista, contratado para projetar o Porto Brasil defende e tem argumentos que entende serem convincentes para justificar a instalação do porto em Peruíbe. Já os engenheiros e técnicos ambientais do IBAMA, da SEMA e os funcionários da FUNAI também têm argumentos que entendem serem mais que suficientes para convencer o governo – e a população – de que o Porto Brasil é prejudicial ao meio-ambiente e aos índios. O que tem de igual nestes dois lados da moeda é que ambos ganham de seus patrões e, porque ganham, estão convencidos de que o seu ponto de vista pessoal é melhor que o do outro.

Na Imprensa funciona assim também. Todo jornal, rádio ou TV tem a sua “linha editorial”, e as chamadas “reuniões de pauta” têm o condão de definir aquilo que deve e aquilo que não deve ser publicado ou ir ao ar. Um texto escrito por um jornalista do histórico e revolucionário jornal Hora do Povo defendendo os militares ou mesmo os políticos da “direita” certamente seria censurado em nome da linha editorial do periódico fundado e mantido pelo MR-8. William Bonner não poderia tomar dois minutos do Jornal Nacional para criticar os empréstimos milionários tomados junto ao governo pela Rede Globo para não quebrar, sob pena de ser sumariamente demitido. Um jornalista da Record não pode “falar mal” da Igreja Universal ou de Edir Macedo… E assim por diante.

Eu modestamente tenho minha linha editorial, e minha “reunião de pauta” é feita comigo mesmo e só. Ninguém me dita o que devo fazer, o que devo escrever e como devo escrever. Eu escrevo. E o que escrevo, escrevo. Lógico que o bom senso me diz que se estou “vendido”, como dizem meus acusadores, para a administração atual, tenho que defendê-la, ou ao menos divulgar os textos oficiais gerados pela assessoria de imprensa oficial. E daqui eu pergunto: qual a diferença se eu estivesse “vendido” para a oposição para meter o “pau na lomba” da administração, para usar uma expressão criada pelo jornalista televisivo local Cristen Charles? Para os que me acusam agora, agindo assim eu não seria “vendido”, mas “idealista”?

Se não é assim, se não se é “vendido”, me expliquem de que outro modo eu – e todos os demais profissionais da Imprensa de Peruíbe – poderiam trabalhar? Apontem um que consegue fazer o “barulho” que faz, seja criticando ou defendendo, sem que seja financiado de alguma forma por qualquer pessoa ou empresa que seja, e eu prometo que volto a ser o idealista que vocês tanto reclamam (mesmo que depois eu fique sem saber como pagar minhas contas de todo começo de mês…).

Mas se quiserem continuar falando mal de mim, me criticando, podem fazê-lo à vontade. O excitante desta história é ter a certeza de que mesmo você que não consegue esconder o quanto está despeitado por não ter sido contemplado com uma portaria, mesmo você que não gosta de mim, mesmo você que chega a ter ódio de mim, no fundo, no fundo, acaba lendo tudo quanto escrevo. Não confessa, mas lê. Que dizer, finalmente? Nada mais que não seja o meu desejo sincero de que Deus o continue abençoando ao menos com o dom da vida, sempre na torcida para que você esteja com disposição para aplaudir a minha vitória. Em pé.

Washington Luiz de Paula

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