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MC Koringa: ‘Dá para falar de sexo no funk sem ofender ninguém’

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Funkeiro que emplacou músicas nas trilhas de ‘Fina Estampa’, ‘Avenida Brasil’ e ‘Salve Jorge’ fala de seu estilo e relembra a infância difícil.
Foto: Divulgação/Divulgação
MC Koringa: ele emplacou músicas nas trilhas de três novelas das nove

Do Eggo.Música

Quando criança, Fábio Luiz de Jesus detestava que os colegas do colégio o chamassem de Coringa – por causa de seu bocão -, numa referência a um dos vilões do Batman. Mas desde muito cedo ele aprendeu a reverter o que parecia ruim em algo produtivo.

Foi assim com a zoação de escola, que virou nome artístico (com K “para ficar mais bonitinho”, segundo ele), com o acidente de trabalho da mulher Manuela – que resultou em uma indenização suficiente para comprar um computador e assim produzir seus próprios CDs -, e até com sua história de vida (Koringa foi adotado por uma família pobre do subúrbio carioca).

“Acho que Deus foi me educando para eu não me embriagar na hora em que tudo desse certo”, diz ele, que emplacou “Danada vem que vem“, na trilha de sonora de “Fina Estampa”, “Pra me provocar“, em “Avenida Brasil”, e “Dança sensual“, em “Salve Jorge”, e sonha ver o funk reconhecido como World Music.

Confira a entrevista do funkeiro ao EGO:

Como conseguiu emplacar três músicas em trilhas de três novelas das nove?

Brinco que sou tricampeão (risos). Mas acho que é por causa do tipo de mensagem que a música passa, e que não agride ninguém. Tem uma batida boa e você pode ouvir na rua, nos bares e nas boates.

Mas tem funkeiro que faz a versão ‘light’, para tocar na rádio ou em programa de TV, e a versão proibidona. É o seu caso?

Procuro fazer uma coisa só, até para mostrar que não precisa fazer apologia a nada, nem a sexo explícito, para fazer sucesso. Sexo fica para a intimidade.

Mas na letra de ‘Pra me provocar’, que está na trilha de ‘Avenida Brasil’, fala em ‘pente certo’, que é gíria para encontro sexual, não?

Para uns é o sexo dessa forma, para outros é sair, ficar. Então o cara que acha que é sexo, vai ouvir e entender dessa forma. O adolescente que acha que é só dar beijo na boca, vai ouvir como se fosse beijo na boca. Acho que dá para falar de sexo sem ofender ninguém. Acho importante preservar a inocência de cada um.

Sua música sofre que influências? Qual a origem daquela vibração que faz com a voz, sua marca registrada?

Gosto do funk por si só, que já é um porradão. Mas não queria que fosse só isso. Queria que tivesse uma letra bacana. Daí tem um pouco de influência de Michael Jackson, Djavan, Lulu Santos, Claudio Zolli e até Gonzaguinha. Peguei um pouco da coisa melódica deles. Quanto a voz, é uma coisa meio ragha, que ouvia muito num charme antigo, e aquilo ficava na minha cabeça. Depois ouvi também na música do “Arte Popular”, em “Requebra Bumbum”. Achava legal e comecei a trazer para a minha música. Virou marca.

Como começou a sua história no funk?

Aos três anos fui morar na Vila da Penha, bairro do subúrbio carioca, onde tive meu primeiro contato com o funk. Depois, comecei ir aos bailes e sempre tentava entregar uma fita com uma música minha. Mas nem sempre os DJs topavam ouvir. Aí, comecei a produzir eventos para conseguir me aproximar dos caras de outra forma.

Onde você morava antes?

Eu nasci em Petrópolis, e aos três anos fui adotado por essa família da Vila da Penha, que me deu tudo: saúde, educação… Cheguei a ter contato com minha mãe biológica, mas era complicado. Meu pai, eu só vi uma vez. Queria encontrá-lo para entender algumas coisas. Por que não me reconheceu.

Quando as coisas começaram a dar certo na música?

Demorou. O primeiro a tocar uma música minha foi o DJ Marlboro. Estava em um baile, fui falar com ele, e ele me deu o microfone para cantar na hora. Fiquei louco. Não esperava aquilo. Ele gostou e falou para eu levar uma fita em um estúdio dele. Acabei não indo. Achei que era da boca para fora. Nessa época, trabalhava das 6h às 14h como açougueiro em um mercado, e à noite ia para os bailes cantar de graça. Só para mostrar minha música. A vida só melhorou um pouco em 2005, quando a minha mulher, Manuela, sofreu um acidente na pizzaria em que ela trabalhava e recebeu uma indenização. Pedi o dinheiro a ela para comprar um computador para começar a gravar as músicas em casa, e comecei a produzir para outros caras também. Fui melhorando e hoje cheguei onde estou. Acho que Deus foi me educando para eu não me embriagar na hora em que tudo desse certo.

O que você sonha para o futuro do funk?

Vejo rappers americanos que vieram do mesmo gueto, do mesmo submundo, e transformaram sua música em ‘world music’. Quero produzir funk com padrão internacional, tipo exportação e poder mostrar o nosso ritmo, o nosso batidão em um grande evento como uma Copa das Confederações, uma Copa do Mundo. O funk tem capacidade para isso.

Foto: Divulgação/Divulgação
Koringa gravando o clipe da música ‘Dança Sensual’, que está na trilha de ‘Salve Jorge’, e é tema do personagem de Bruna Marquezine
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