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EVERTON MEYER ADVOGADO

Ana deve eleição a Paulão. E ele deve ser recompensado por isso.

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Não tenho procuração alguma para defender o ilustre desaparecido destes últimos dias Paulo Henrique Siqueira – o Paulão. É verdade que eu gosto dele; mas é um gostar mais de admiração pela coragem de fazer o que fez, usando métodos de todo convencionais – convenhamos – que seja o de enrolar, de mentir, de empurrar com aquela barriga enorme os problemas para frente como um trator que trabalha numa montanha de lixo e estrume lá no aterro sanitário.

Digo de todo convencionais, porque é assim que funciona a política: de mentira, de enrolação, de engodo, de promessas vãs, e de hipocrisia, muita hipocrisia. O que me divide o ser neste momento é tentar entender se é da política ou do político o ter a cara-de-pau, a desfaçatez de fazer o que se faz para conquistar o objetivo máximo de uma campanha que é ganhar a eleição.

Como eu não consigo ter essa cara-de-pau, e nem teria a coragem deflagrada e exposta pelo todo-poderoso mentor da prefeita eleita, logo fico a pensar que talvez não tenha nascido mesmo para ser político. Teimar na política é não ver o óbvio ululante que tem me assaltado muitas vezes nestes meus últimos 35 anos pelo menos, mas que, exatamente por falta de coragem, não me fez abandonar de vez – e para sempre! – a política.

É verdade que sinto necessidade de escrever. É possível que muitos não entendam isso, mas escrever para mim é quase uma necessidade fisiológica (quantas e quantas vezes eu não me apertei ao máximo protelando a ida ao banheiro para fazer um xixi porque precisava terminar um parágrafo já completo em meu cérebro, mas que meus dedos insistiam em atrasar…).

A ária “Che Gelida Manina” da opera La Bohème, composta por Puccini, e escrita por Luigi Illica e Giuseppe Giacosa tem alguns versos que talvez traduzam o que eu sou, o que eu faço e o que eu sinto: “Chi son? Sono um poeta. Che cosa faccio? Scrivo. E come vivo? Vivo!”. É isso: não sou mais que um “povero” escritor que escreve. E vive.

Assim escrevo também a política porque entendo que na política vai um pouco da nossa história. Na política e nos políticos.

Desta sorte teimo em escrever agora sobre o acontecimento máximo desta campanha que foi a eleição para prefeita de Ana Preto precedida da tempestiva “demissão” de Paulão da coordenação de sua campanha há três ou quatro dias das eleições.

Eu insisto em dizer que o calculado jogo arquitetado por Paulão correu nos exatos conformes do que ele pretendia desde quando convenceu Ana Preto a ser candidata a prefeita, e disse a ela que deixasse a bola com ele que ele jogaria a partida com a destreza de um campeão olímpico. E não tinha outro jeito. Se Paulão tivesse dito para cada um dos presidentes das quase duas dezenas de partidos que arregimentou que Ana Preto não era José Roberto Preto, ou seja, que não teria dinheiro para fazer a campanha, ou pelo menos não o “quantum” que o próprio Paulão fez crescer no imaginário coletivo dos seus 150 candidatos, muito certamente Ana teria ficado com menos de um terço daqueles que com ela terminaram a campanha, e dificilmente teria ganhado o pleito.

Tudo que se falou e se ouviu em termos de dinheiro nesta campanha não foi mais que fábula. Mário Omuro não ganhou R$ 200 mil ou R$ 500 mil, nem tão pouco R$ 700 mil para aceitar ser o vice de Milena; no mesmo compasso que Oliveira não ganhou não sei quanto para declinar de ser o vice de Ana Preto para que Nelson do Posto ganhasse R$ 1 milhão. Tudo fantasia! Desde que o falecido ex-prefeito Gheorghe Popescu pendurou as chuteiras da política, e morreu o velho Joaquim do Val (Quinzinho) nunca mais Peruíbe soube o que é fazer uma campanha milionária. Histórias de candidatos a vereador gastando R$ 50 mil no dia da eleição para “comprar votos” tem muita por ai. Mas isso é fichinha perto dos milhões que pode custar uma campanha como a que custou a de José Roberto Preto em 2004.

Não obstante, a premissa do “muito dinheiro” para mim e para você era uma coisa latente mesmo agora, quando Popescu, Quinzinho e JR Preto já se foram. Não importava ter o dinheiro, bastava criar a expectativa de que se tinha o dinheiro. E eu vou lhes confessar, senhores: até eu cai nessa!

Atestam as línguas que ainda estalam pelas esquinas da cidade que o “rombo” de Paulão que teria sido o estopim de sua “demissão” estaria na casa dos R$ 700 mil. Outros falam em R$ 1 milhão. Mas não é roubo; é rombo! Não é desvio, porque não se desvia o que nunca existiu; é promessa, muita promessa, a mesma promessa do trem de Chico Buarque que já vem, que já vem, que já vem… para o mês que vem, mas que acabou não chegando para ninguém. Melhor: chegou sim: para o próprio Paulão e para a prefeita Ana Preto que é quem irá – afinal – provar o bolo que saiu do forno das urnas como resultado desta receita fabulosa do mestre-cuca Paulão.

É mais que justo, portanto, que Paulão seja “perdoado” por Ana Preto, que ele se “redima” de seu “pecado”, e que seja contemplado com uma efetiva e destacada participação no futuro governo.

Torno a dizer que não tenho necessidade de defender o Paulão. Como já disse, eu também fui enrolado por ele, e se ele deve o pagamento das promessas para este ou aquele partido, para este ou aquele candidato ou cabo eleitoral, a mim também deve; pouca coisa, verdade, mas muito se considerada minha necessidade atual. Mas a verdade é que esta eleição teve muito, senão tudo, da mente brilhante de Paulo Henrique Siqueira que é assim tipo um serial killer que não gosta lá muito de dar satisfações sobre que o faz ou pretende fazer, mas que não se olvida de sua responsabilidade caso algo dê errado, e que tem um tino muito apurado para saber – e até propor – o momento exato de sua saída de cena, tudo para não perder a eleição. Afinal, os fins justificam os meios.

O saber superar a vaidade, esta vilã que tanta coisa tem estragado em nossas vidas, é o diferencial de Paulão. Gilson Bargieri, a esta altura do pós-jogo do qual saiu derrotado, certamente poderia dizer com seus botões, com um sotaque quase lá de Uberaba: “Cabra bão; queria ter um filho assim”.

Se aqueles que participaram diretamente da campanha de Ana Preto estão se sentindo ludibriados e vítimas do estelionato verbal de Paulo Henrique Siqueira, tenham ao menos a coragem de se penitenciar agora como eu me penitencio; afinal, não há esperto se não houver otário. Fomos todos vitimados não pelo engodo do Paulão, mas por nossa própria ganância.

De mais, agora que passou a eleição e o Paulão reaparece aqui e ali – tendo inclusive sido visto almoçando com Ana Preto e o staff do futuro governo no Brisamar – roguemos a Deus que os fins realmente justifiquem os meios, e que o nosso sacrifício não tenha sido em vão, tudo por uma Peruíbe melhor, que é que todos nós merecemos e precisamos.

Washington Luiz de Paula

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