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IPAT vs TOLEDO: Qual está com a razão?

Têm me inquirido por minha observação acerca dos resultados publicados quase que simultaneamente pelo Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT) e pela seríssima Toledo & Associados, que apontam para alvos diametralmente opostos: Enquanto o IPAT afirma que Milena Bargieri está (ou estaria) 10,2 pontos percentuais à frente de Ana Preto (36,7% contra 26,5%), a Toledo & Associados parece exagerar ao indicar que Ana Preto estaria 14 pontos à frente de Milena (42% contra 28%).

Há um misto de curiosidade, respeito, apreço e até despeito por minha opinião. Há quem a leia e a pondere; e a quem a leia e não admite tê-la lido. Outros ainda acham que sou escravo do devaneio. O fato é que não tenho quatro décadas acompanhando a política de Peruíbe atoa. Conheço bem cada um dos políticos da cidade e sei o que eles pensam e o que eles querem e o que pretendem. Pena, no entanto, por meu texto ser deveras longo e de linguajar rebuscado. Mas isso sou eu. E o que me basta é isso: ser eu mesmo.

Voltando ao assunto do momento: qual, a seu ver, caro leitor, está com a razão dentre estes dois institutos de pesquisas? Será que houve manipulação de resultado? Será que mexeram os “pauzinhos”? Será que encomendaram um resultado favorável? Será que compraram os intérpretes das planilhas de pesquisas a fim de que eles dessem o famoso “jeitinho brasileiro” para que o resultado divulgado beneficiasse esta ou aquela?

Todas estas dúvidas são pertinentes e quem medita nelas não deixa de ter razão em se preocupar. Afinal, estamos no Brasil que Rui Barbosa previra aonde todos nós – eu e você inclusive – chegaríamos ao ponto de sentir vergonha de sermos honesto. Então, ter acontecido qualquer coisa que tenha levado à manipulação do resultado é sempre uma possibilidade. Estamos no Brasil.

Evidente que os partidários de Milena Bargieri agora podem encher a boca para dizer que Ana Preto “comprou” o resultado da Toledo apontando para a credibilidade histórica do jornal A Tribuna. Mas, em contrapartida, é justo que os eleitores de Ana Preto desconfiem no resultado divulgado pelo instituto de pesquisa daquele importante jornal regional, em razão do estreito vínculo que há entre o mandatário municipal Gilson Bargieri e seu padrinho Márcio França com a direção de A Tribuna.

A minha opinião, porém, não está no campo das impossibilidades, não. Acho que é possível “mexer os pauzinhos” aqui e ali. Mas pessoalmente eu não creio que isto tenha acontecido. Tanto o IPAT quanto a Toledo & Associados não se permitiram ver-se em xeque em suas credibilidades por causa de uma cidade de 50 mil eleitores, e por uma cifra que não chega a R$ 20 mil, que seria o máximo pago pela contratação de uma pesquisa de campo em um universo tão pequeno como o que foi pesquisado. Para quem nunca saiu de Peruíbe, não sabe que Peruíbe é só mais uma das uma das 6.500 cidades brasileiras – e das menores e de menores orçamentos. Peruíbe é não mais que um pontinho, uma cagada de mosca no mapa do Brasil!

O político que intenta comprar a manipulação de um resultado de pesquisa já começa, desde sua campanha, a enganar o povo; sim, porque sabe ele que o povo age numa eleição como o viciado em corridas de cavalos, que quer apostar somente naquele cavalo que vai ganhar, ainda que o prêmio seja infinitamente menor que o que seria pago caso o azarão viesse a ganhar. Ora, se se despudora em enganar o povo já na campanha, o que fará depois de eleito?

E é assim mesmo. O político mal-intencionado sabe que o eleitor brasileiro – e peruibense – já aprendeu há muito tempo que é bem melhor levar vantagem em tudo. E, também, não quer ficar em desvantagem na hora de votar, por isso vota, não naquela que tem a melhor proposta, não naquela que ele mesmo acha que será a melhor para a cidade, mas vota naquela que está na frente, porque não quer perder o voto!

Ouvi isso ontem mesmo, cortando o cabelo. Então, atentem para isso: eleição não é uma corrida de cavalos em que você vota no cavalo que vai ganhar, e ponderem que o que está em jogo não é a satisfação efêmera de ter apostado naquele que ganhou a corrida, mas sim quatro anos de uma administração da qual dependerá diretamente a sua vida, a vida de seus pais, a vida de seus filhos, a vida da sociedade. A vida. Literalmente, a vida!

E eu acrescentaria dizendo que há sempre a possibilidade de o cavalo que ganhou a corrida ter tomado uma boa dose de anabolizantes na semana que antecede o páreo, e ganhar assim, convenhamos, é desonesto.

Mas, Washington, você enrolou e enrolou, e não explicou o que você acha que houve, então, com os resultados diferentes publicados pelo IPAT e pela Toledo, já que você não acredita que eles tenham sido comprados para manipular resultados. É verdade. Eu explico. Vamos ao que eu acredito ser a explicação para o ocorrido.

O IPAT entrevistou 600 pessoas em residências sorteadas em bairros igualmente sorteados da cidade. Igual número de eleitores foi ouvido pela Toledo & Associados, e de igual forma sorteados dentre a população de Peruíbe.

Evidente que não foram ouvidos os mesmos eleitores. Serem os mesmos seria o mesmo que acreditar que os mesmos ganhariam na loteria por duas vezes consecutivas. Foram eleitores diferentes. De opiniões diferentes. De votos definidos diferentes, óbvio. Ademais, se tivessem sido os mesmos, o resultados do IPAT com o da Toledo empatariam.

Eu tenho para mim que para um universo de 50 mil eleitores, se ouvir pouco mais de um por cento destes é, além de muito pouco, temerário. Um número razoável seria 10%. Mas isso teria um custo 10 vezes maior também e os pragmáticos estatísticos são teimosos em achar que o método que vale para uma cidade cosmopolita como São Paulo vale também para um distrito como Peruíbe onde todo mundo conhece todo mundo e as pessoas relutam em expor suas opiniões, seja por receio de magoar alguém, seja por medo do “coronel” mesmo.

Quisera eu ter dinheiro para encomendar duas pesquisas mais – uma ao IPAT e outra à Toledo – para esta semana, para eles ouvirem outras 600 pessoas sorteadas dentre a população. Não seria surpresa que o resultado de uma delas apontasse que a candidata Onira já teria ultrapassado Milena e Ana Preto, ambas de uma só vez.

A explicação está nesta palavra simples: sorte. Por sorte os pesquisadores do IPAT ouviram 600 pessoas das quais 220 (36,7%) afirmaram tacitamente que votariam na Milena; e também por sorte os pesquisadores da Toledo entrevistaram 600 pessoas, das quais 252 (42%) declararam voto para Ana Preto. Curiosamente, em números absolutos, Ana Preto ganharia de Milena, já que teria 252 votos contra 220 de Milena.

Se por sorte também um e outro instituto de pesquisa tivesse se achegado na casa dos parentes dos candidatos a vereadores da coligação que apoia o PT, Onira já teria batido em Ana e Milena. Mas, nas pesquisas. Só nas pesquisas.

O perigo, no entanto, está na forma como se interpreta isso, e como se divulga esta interpretação. Eu até aqui não entendi qual a estratégia de Paulo Henrique Siqueira – o Paulão – em não ter feito um carnaval com o resultado da pesquisa encomendada por Ana Preto junto à Toledo & Associados, cujo resultado favorável ele tem em mãos desde a semana passada. Mas eu entendi bem a forma diria que quase tendenciosa (ainda que não intencional) como o A Tribuna divulgou o resultado favorável à prefeita Milena.

Atentem para este detalhe: O IPAT quis saber não só em quem o eleitor vai votar, mas também quem ele acha que vai ganhar (veja a matéria completa aqui). Neste ponto há um empate mais que técnico, muito próximo mesmo: 31,4% acham que, independente do seu voto Milena é que vai ganhar a eleição; porém, 32,9% entendem que, mesmo escolhendo outra candidata, eles acham que é a Ana quem vai ganhar. Deste modo, a manchete de A Tribuna de ontem poderia ser assim: “Maioria dos eleitores de Peruíbe acha que Ana Preto ganha as eleições do dia 7”.

Quero repetir aqui para ver se meu eleitor consegue enxergar como se faz para “manipular” a divulgação de um resultado sério de pesquisa: 36,7% dizem que votam em Milena Bargieri, mas 32,9% acham que Ana Preto é quem vai ganhar! (Percebem que se eu quiser eu posso ser tendencioso? Basta saber dominar as palavras…)

A forma da manchete de ontem (“IPAT mostra candidata Milena Bargieri com 36% dos votos”) aponta para este cuidado da Redação de A Tribuna em não declarar Milena Bargieri como franca favorita. Sabem os jornalistas responsáveis pelo jornal que toda eleição é uma caixinha de surpresas. E sabem também que resultado de pesquisa só serve mesmo para dar calor e ânimo à campanha de uns, e desespero para a de outros.

Já tivemos exemplos em eleições passadas de lanterninhas nas pesquisas acabarem ganhando as eleições. Dr. Alberto Sanches Gomes é um exemplo clássico disso. Em 1996, há uma semana das eleições, o então governador Mário Covas chegou a enviar um emissário a Dr. Alberto para tentar movê-lo a desistir de ser candidato para apoiar o candidato do PMDB, Mário Omuro, que era o terceiro nas pesquisas. Gilson Bargieri era o primeiro, Carlinhos Rúbia o segundo. Dr. Alberto o último. Dr. Alberto persistiu. Em seu último comício, na praça redonda, estava ele discursando da carroceria de uma Toyota para um público de 15 pessoas. Sua votação anunciada seria um desastre. Mas Dr. Alberto acreditava nele, que não tivera passado quatro anos “amassando lama” em vão desde quando fora candidato (em 1992) e perdera.

No dia da eleição, os mesmos eleitores que responderam as pesquisas dizendo que votariam em Gilson Bargieri, em Carlinhos ou em Mário Omuro, votaram em Dr. Alberto, e ele se elegeu prefeito. E alguém ai pode dizer que sua gestão não foi a mais séria e competente que Peruíbe conheceu?

Pensem nisso.

Washington Luiz de Paula

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