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Embate de mágicos decidirá eleição para prefeita em Peruíbe

Os discursos já estão bem colocados: “Milena vai ganhar porque tem a máquina na mão”; “Ana Preto vai ganhar por ter grana para gastar na eleição”; “Onira vai ganhar porque é oposição, porque é PT”.

Todos querem ganhar a eleição, e é para isso mesmo que entram na disputa: para ganhar. Todavia os acontecimentos da campanha, a publicação da pesquisa do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), a promessa de que uma nova pesquisa vem por ai recheada de novidades para contrapor a primeira pesquisa, embolaram o meio de campo de tal forma que fica difícil até para os próprios candidatos e para seus cabos eleitorais mais apaixonados apostarem numa futura vitoriosa.

Se se confirmar os dados da pesquisa do IPAT, Gilson Bargieri teria realizado a proeza de derrubar a rejeição de sua filha para menos da metade do que estava há um ano, segundo pesquisa do próprio IPAT. E mais: no último ano de governo, que costuma ser um ano em que o administrador público mais sofre porque vê que o tempo correu muito depressa, e vislumbra que não fez lá muita coisa do que prometeu em sua campanha de quatro anos atrás!

Se Gilson Bargieri fosse um perdulário até que se poderia repetir o chavão de que “dinheiro compra tudo”. Mas, não. Gilson é sabidamente um pão-duro. Paga um milhão num bezerro ou num cabrito, mas não gosta de ver nenhum de seus fiéis seguidores ganhando “muito”.

Logo, a proeza. Milena Bargieri ganhando a eleição elevaria seu pai à condição de mágico. Se matemáticos e estatísticos souberem que nas terras de Tapirema alguém ganhou uma eleição com mais de 30% de rejeição, não tenho dúvidas de chamá-lo-iam para oferecer aulas na cátedra para ensinar como foi possível realizar o impossível. Sim, porque qualquer profissional da área, consultado, se fosse honesto diria para Milena ir pra casa, porque não se ganha eleição com 30% de rejeição.

A explicação? A mágica. A receita? Gilson não a daria.

Navio à deriva

No transatlântico comandado por Ana Maria Preto a situação é diversa, mas com susto semelhante.

A figura do “transatlântico” me foi trazida por um notável vereador, candidato à reeleição que está entre os grumetes da nau pilotada pelo falastrão Paulo Henrique Siqueira, o Paulão, que pediu para não ter o nome revelado, certamente com medo de ser colocado na prancha e ser lançado ao mar para ser devorado pelos tubarões.

Dizia-me ele que estava se sentindo como se tivesse sido convidado – ele e todos os demais candidatos da grande coligação que se aglomera no convés do tal “transatlântico” – para um cruzeiro de luxo, num enorme navio cheio de atavios, com a promessa de uma viagem inesquecível, maravilhosa. E o que aconteceu foi que “hoje estamos no meio do oceano, e acabou o combustível do navio, não tem mais batata para descascar e comer, o cassino fechou as portas, os artistas se trancaram em seus camarins, e não temos como voltar”. E, pior: todos descobriram que não sabem nadar e ao que tudo indica não há sequer boias salva-vidas à disposição para todos.

Se o céu é de brigadeiro para o avião de Gilson Bargieri, o mar está de bonança para o barco de Paulo Henrique Siqueira. Meno male. Não há turbulência, nem previsão de tempestade, e os ventos são favoráveis, o que podem fazer com que Paulão acabe por permitir que Ana Maria Preto chegue ao porto, sã e salva. Ela e toda a sua tripulação. E, melhor: vitoriosa. Mas isto desde que mantenha o pulso firme no timão, do qual não deve largar nem que lhe arranquem as mãos.

Embora inconfessável, eu creio firmemente que nem mesmo Paulão queria que o transe estivesse sendo tão doloroso assim em virtude da falta de dinheiro para fazer a campanha que se imaginava que Ana Preto fizesse. E por isso sempre tenho para mim que se alguém sabia que a propalada “campanha milionária” de Ana Preto não passaria de um grande blefe, esse alguém não é mais nem menos que a própria candidata do PTB.

Dada as circunstâncias do inesperado até mesmo para o próprio Paulão, se Ana Preto vir a sagrar-se vitoriosa em sete de outubro próximo, seu coordenador geral da campanha terá acrescido também ao seu currículo um multicolorido diploma de mágico. Sim, porque conhecendo a “fome” de muitos dos de seus tripulantes como ele bem conhece, era de supor que já tivesse acontecido um motim, com gente suplicando pelo avião de Gilson Bargieri para vir “salvar-lhes”. Mas não; estão todos lá, dóceis, simpáticos, aguardando que a brisa lhes faça chegar ao seguro porto do Paço Municipal, e sempre fiados na palavra do mágico de que, se prestarem bem atenção, eles verão o coelho saltar cartola afora. Amanhã.

Eminência parda

Segurando a lanterna da campanha petista, esconde-se, como quem alumia a noite, não se deixando enxergar, não apenas um mágico; mas um bruxo.

Ilustre desconhecido da sociedade em geral, o grande responsável pela sustentação do Partido dos Trabalhadores na crista da onda política peruibense foi e é José Márcio dos Santos Cunha. Deve-se a Márcio, como é conhecido pelos seus poucos e seletos amigos, a elevação de uma candidata do PT à condição de vereadora por três mandatos; e a ele devem-se também as vezes que o Partido dos Trabalhadores intentou alçar voo rumo ao Executivo, sem sucesso, porém.

Márcio é funcionário público municipal de carreira. Participou ativamente da formação do Sindicato dos Funcionários Públicos Municipais de Peruíbe (SINTRAPE), e da fundação do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores. Fez cursos de formação política fora, chegou a compor a diretoria nacional da CUT, foi assessor de deputado. Tudo isso sem propaganda, sem discursos inflamados, sem posar de camiseta do PT ou da CUT, sem sequer uma foto sua para guardar para a posteridade. A discrição é uma marca que Márcio ombreia e que todos que o cercam respeitam, ainda que ele não reclame por ela, ou a exija.

É um pensador. Seus textos são sofríveis, seus argumentos vítimas de críticas pela intransigência que carrega. Mas a linha com que costura a política, e o pano que usa para a sutura do cenário muitas vezes roto é forte o bastante para manter-se em pé.

A história de que o PT nunca teve voto – e receio que ainda não tenha – em Peruíbe é notória. Márcio não confessa, mas ele sabe disso. Para ele talvez confessar a previsão da derrota seria como se antecipar a ela. É preferível manter o otimismo, e saber tecer as alianças que permitam a estada do PT no poder. E Márcio sabe muito bem conduzir esse processo.

As eleições passadas que levaram a vereadora Onira ao Legislativo se deram em razão de fechamentos com partidos cujos votos era preciso para a conquista do coeficiente eleitoral. Na última eleição, por exemplo, um susto: a composição do PT com o DEM acabou num empate técnico entre o ex-vereador Cícero Rodrigues da Silva, a vereadora Onira e – pasmem! – Paulo Henrique Siqueira, o Paulão (olha ele ai novamente!), que por um pouco não se elege no lugar de Onira. Quando costurou este enlace com o DEM Márcio sabia do risco, mas não o temia. O risco era calculado com a precisão de um cirurgião, de um mágico, de um bruxo.

Companheiro – no sentido lato – da vereadora Onira, há quem diga que o vereador de fato é ele, Márcio. Onira seria assim algo como que a czarina Alexandra Feodorovna, esposa de Nicolau II, que dedicava atenção cega e confiança desmedida a Rasputin, o alquimista russo que influenciou todo um governo da Rússia do início do século XX. Márcio seria o Rasputin de Onira.

A ousadia de José Márcio dos Santos Cunha de conduzir o atual processo, num momento em que os companheiro do PT terão que provar para si mesmos que o PT pode sim andar sozinho e com suas próprias pernas, faz a gente pensar que se tem um cara em Peruíbe que sabe fazer política, esse é Márcio.

A mágica de tirar Onira da casa de um dígito nas pesquisas do IPAT para leva-la a ganhar a eleição pode ser a grande cartada que Márcio Cunha tem preparado para a função de sete de outubro neste imprevisível picadeiro que se tornou a campanha eleitoral em Peruíbe.

Onira ganhando a eleição, entrementes, não esperem que Márcio apareça para reclamar os louros da vitória – que serão dele, com certeza. Ele entrou no palco mascarado, permanece de máscaras, e a máscara não tirará nunca. Ele é o nosso “Mister M”. M de Márcio.

Washington Luiz de Paula

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