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O grande estelionato

Curioso que nenhum dos quase 300 candidatos a vereadores de Peruíbe tenha querido acrescentar a centena 171 à dezena de seu partido em seu número de candidato. Nós não temos um candidato do PSDB com o número 45171, nem outro do PSB que tenha o número 40171, nem ainda outro do PTB com o número 14171, ou mesmo um candidato do PT ostentando 13171. Nenhum dos 25 partidos que participam desta eleição teve candidato com “coragem” ou mesmo com o deboche de lançar-se com este número.

O fato, como disse, é curioso, mas se justifica. Afinal, 171 é o artigo do Código Penal aplicado àqueles que obtiveram, ou obtêm, “para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”, crime que é passível de reclusão de um a cinco anos e multa.

Claro que neste quesito nem você nem eu conhece alguém que, mesmo sendo useiro e vezeiro em aplicar golpes, tenha sido preso, ou tenha estado preso, ou esteja preso. Se conhecer algum, me apresente. Este ou aquele foi condenado? Sim, foi. Mas não foi preso, ou não ficou preso.

Diferente do “171”, já o outro número que para alguns – principalmente os evangélicos e católicos mais carismáticos – causa arrepios só de pensar nele, teve três candidatos que o escolheram. Consciente ou inconscientemente, o “666” foi a centena escolhida pelo candidato José Maria Branco de Lima (José Maria), do PMDB (15666), pelo biólogo Wagner Xavier da Silva (Jiboia), do PMN (33666), e também pelo psicólogo Rui Alexandre Sibilio (Rui Sibilio), do PT (13666). E talvez Dr. Rui explique pelos seus outros colegas o que talvez nem Freud conseguisse explicar para nos esclarecer por que é que decidiram eles – os três – afinal, ostentar assim tão escancaradamente o horripilante número da besta apocalíptica.

Mas uma coisa vem do acreditar, ou para usar o jargão bíblico usado pela campanha de Ana Preto (PTB), vem do ter ou não ter fé. O texto bíblico do livro do Apocalipse (ou Livro da Revelação) convoca o discernimento para esclarecer isto: “Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis” (cf. Ap. 13.18).

Para quem mora em Peruíbe fica difícil mesmo acreditar na possibilidade do fim do mundo acontecendo a partir da visão de João descrita no capítulo 13 do mesmo livro de Apocalipse: “E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia”.

Por difícil que este complexo texto bíblico é, não censuro os incrédulos. Assim como não poderia censurar nenhum dos três candidatos que escolheram a nefasta centena para ilustrar seus números, ainda que de repente quisessem pleitear eles para si o epíteto de “cavaleiros do Apocalipse”.

Mas 666 na Bíblia não é só sinal escatológico. Há pelo menos duas referências ao quantum recebido pelo grande, sábio, fabuloso e riquíssimo Salomão a cada ano como pagamento de tributos devidos ao rei: “E o peso do ouro que se trazia a Salomão cada ano era de seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro.” (cf. I Reis 10.14, e II Cron. 9.13). Para meus leitores que tiveram paciência de ler este texto até aqui, estes 666 talentos de ouro pagos a cada ano a Salomão representava uma cifra assustadora.

Um talento era igual a 34,2 kg e era medido pelos metais prata ou ouro. Ou seja, Salomão recebia de seus súditos anualmente algo equivalente a 22.777 quilos de ouro. Quase 23 toneladas! Se isso fosse hoje, segundo a cotação do dia, com cada grama de ouro custando por volta de R$ 105,00, Salomão estaria acrescentando anualmente aos cofres da sua Jerusalém uma modesta quantia de R$ 2.391.606.000. Em letras isso quer dizer: dois bilhões, trezentos e noventa e um milhões e seiscentos e seis mil reais. E dali um ano viria outro tanto!

Voltando à pobre realidade de Peruíbe, a cada ano Salomão receberia algo em torno de 13 vezes o orçamento anual de Peruíbe para 2013 que é de R$ 190 milhões. Mais particularmente, a cifra salomônica representa cerca de 132 vezes mais que o maior valor de bens declarados por uma candidata para as eleições deste ano, no caso Ana Preto, a que mais bens declarou possuir.

Logo, mesmo na Bíblia, 666 poderia representar um sinal de riqueza. Muita riqueza!

O segredo da multiplicidade da riqueza de Salomão estava em sua fé em Deus, é verdade. Mas também em sua sabedoria, sabedoria esta que ele mesmo pedira a Deus antes mesmo que as posses que passou a ter. Esta foi consequência daquela.

Quem teve a curiosidade de conhecer mais sobre a vida de Salomão pode imaginar que, se ele fosse candidato a prefeito de Peruíbe hoje, tomaria dois caminhos distintos dos tomados por todas as três candidatas a prefeita da cidade: Primeiro, selecionaria mais e melhor os candidatos a vereadores que deveriam servi-lo no propósito de ganhar a eleição, ainda que isso resultasse em menor número de seguidores, porém fiéis. Segundo, seria bem mais generoso com seus súditos.

A mim me parece que não é quantidade que ganha eleição, e sim qualidade. E Salomão sabia, como Ana Preto deveria saber, como Onira deveria saber, como Milena Bargieri deveria saber que não se conquista qualidade sem que o justo preço desta qualidade seja regiamente pago.

Quando vemos as quase três centenas de viventes se debatendo atrás do voto que costuma custar alguma coisa, e clamando pelo pagamento da promessa que lhe fora feito quando foi convocado para a disputa eleitoral, e que até aqui não tem ficado além da promessa para o amanhã, e depois para o amanhã, e depois ainda para a semana que vem, ficamos imaginando se uma, duas, ou as três candidatas majoritárias não teriam cometido um grande e coletivo estelionato para cima de incautos, alguns bem sabidões, é verdade, mas a maioria de néscios e ignorantes de seus direitos.

A estultícia comandando a vaidade e a ganância pelo poder levam as pessoas a cometerem a insanidade de colecionarem pessoas que eles querem porque querem que estes estejam a seu dispor, como o piá que coleciona as suas figurinhas de super-heróis, com a diferença de que este é inocente, aquele outro, ou aquela outra, sabe muito bem o que faz – ou o que fez.

E a necessidade é tal e tamanha que até a vontade de se rebelar contra os algozes promotores do engodo do dinheiro fácil é tolhida pela esperança de que o amanhã chega e, com ele – quem sabe? – venha a bonança representada pelo vil metal, ainda que esta “bonança” dure por alguns dias ou semanas apenas.

Dito isto, não ganhará a eleição aquele (ou aquela) que muito prometeu e pouco até aqui cumpriu. Não ganhará a eleição aquele (ou aquela) que coligiu dezenas de cabos eleitorais de luxo, mas não lhes recompensou dignamente. Não ganhará a eleição aquele (ou aquela) que tem fé demais, ou aquele (ou aquela) que tem fé de menos. Ganhará a eleição aquele (ou aquela) que foi honesto (ou honesta). Consigo mesmo (ou mesma). Mas principalmente com seus colaboradores.

Ora, não é pecado nem vergonha não ter dinheiro. Vergonha é prometer e não cumprir. Principalmente quando se tem para cumprir e não se cumpre. Mas também quando sabidamente não se tem – ou não se teria ou não se terá –, deixando fazer crer, pela ostentação da riqueza que se tem o que não tem. Em termos chulos, vergonha é comer mortadela e arrotar caviar; ou mesmo comer caviar e fingir que arrota mortadela.

Estelionato muito maior, entrementes, é aquele que se comete contra si mesmo. Por teimosia. Por arrogância. Por ser tinhoso (ou tinhosa). Por burrice. A mais pura burrice. E aquele (ou aquela) que assim procede, antes de merecer a gravação do “171” em sua testa, deveria mesmo era ter estampada, numa enorme tatuagem, o “666”, por não parecer ser mais que uma grandessíssima besta!

Washington Luiz de Paula

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