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O preço e o valor de um voto – a conta que todo eleitor deveria fazer

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Da Redação

Com uma determinada candidatura orçada em R$ 2 milhões que já começaram a serem gastos desde quando os pré-candidatos começaram a se movimentar no tabuleiro das eleições deste ano, Peruíbe deve movimentar, de junho a outubro a astronômica cifra de R$ 5 milhões, se considerarmos quatro ou cinco candidatos a prefeito e coisa de duas centenas de candidatos a vereadores.

É algo em torno de R$ 80 de custo para um dos moradores da cidade, ou, se contabilizados só eleitores, R$ 100.

Está certo que R$ 80,00 ou R$ 100,00 pode não fazer falta para muita gente, e é bem menos do que o que você costuma gastar numa pizzaria com a família, mas para muita gente, para muita gente mesmo, é dinheiro de uma, de duas, até de três cestas básicas composta de arroz, feijão, óleo, sal, açúcar e café suficiente para alimentar uma pequena família por um mês!

Agora imaginem R$ 1 milhão, R$ 2 milhões, 5 milhões! Pois é. Talvez passe a eleição, e você participou de um churrasco ou outro, e comeu e bebeu até se lambuzar a ponto de não perceber que você, a cada mordida, a cada gole, está contribuindo para inflacionar uma eleição que, porque cara – caríssima! – põe todo mundo em estado de suspeição.

Qual é a conta que o prezado eleitor tem que fazer, então?

Tomemos o exemplo de Peruíbe onde um vereador ganha em números redondos R$ 5 mil por mês, e um prefeito R$ 15 mil. Mas esta conta pode ser usada para qualquer município deste país, desde o menor ao maior.

Multipliquemos R$ 5 mil de salário de um vereador, que já é muito para ele fazer praticamente nada, pelos 48 meses (quatro anos) em que ele exerce o cargo: temos R$ 240.000,00. No caso do prefeito (ou prefeita), seria então R$ 15 mil multiplicados por 48 meses, o que daria R$ 720.000,00.

Um peão de obra, um orelha seca, se ganhar bem ganha R$ 200,00 por semana. Ele teria que trabalhar 1.200 semanas, ou 300 meses, ou 25 anos para ganhar, ralando feito um desgraçado das sete da manhã às cinco da tarde, o que um vereador ganha em quatro anos só para ter o trabalho de ir cheirosinho da Câmara dizem “amém” para o prefeito, e para indicar um nome de alguém que morreu, de preferência de uma família bem grande, para uma rua qualquer da cidade.

No caso do prefeito a diferença é gritante, com o senão de que o prefeito (ou prefeita) pelo menos não se pode dizer que não trabalha, porque se quiser – diferente do vereador, tem trabalho, e tem muito trabalho para fazer! Mesmo assim é difícil entender que numa cidade com uma renda per capita tão baixa muito abaixo da média de uma cidade do porte de Peruíbe um prefeito ganhe alguma coisa perto de 30 salários mínimos por mês.

Veja este dado interessante: Consideremos um hoteleiro com seu hotel colocando à disposição 20 apartamentos durante os 90 dias da chamada “grande temporada” (janeiro, fevereiro e março) e cobrando R$ 100,00 por dia (vejam que estou jogando valores lá para cima, e considerando positivamente uma frequência cheia nos 90 dias, o que dificilmente acontece). Muito bem. Este hoteleiro teria um ganho bruto de R$ 2.000,00 por dia que, multiplicados pelos 90 dias, daria R$ 180.000,00 em uma alta temporada. Em quatro (o mesmo tempo de duração do mandato de um prefeito) seriam então exatamente os R$ 720.000,00 que um prefeito ganha na prefeitura durante o tempo de sua gestão.

Mas, esperem ai! Eu disse “ganho bruto” do hoteleiro. Se ele tirar IPTU, ISS, Imposto de Renda, água, luz, gás, insumos, salários de funcionários, manutenção do imóvel, e outras coisas mais, dificilmente seu ganho seria a metade disso. Ao seu passo, o prefeito ganha o que ganha limpo, limpinho.

Então, lógico que ser prefeito – ou mesmo vereador – numa cidade como Peruíbe é um excelente negócio! Você – em tese – só gasta saliva e sola de sapato, e, como num passe de mágica, você está lá dentre os sortudos contemplados com a mega-sena municipal.

Todavia o que preocupa a mim – e o que deve preocupar a você é algo que extrapola a simplicidade dos números acima. Veja: toda vez que você vê ou ouve de algum candidato a vereador, vereadora, prefeito ou prefeita que gastou mais do que ele ganharia – ou vai ganhar – durante seu mandato, fique de olho, porque 10 em cada 10 casos destes o candidato (ou candidata) estão mal-intencionados.

Ora, ninguém é bonzinho assim a ponto de se entregar ao “sacerdócio” da agência pública, e de investir bem mais do que ganharia honestamente, regiamente, caso eleito. Vaidade? Conversa para boi dormir.

Peruíbe deve ter que administrar R$ 1 bilhão de orçamentos para os próximos quatro anos, começando em 2013 e indo até 2016. É muito dinheiro! Num país onde desviar 10% das verbas públicas é visto até como algo simplório – algumas cifras de desvios chegam a 30% –, você imaginar R$ 100 milhões minimamente sendo desviados dos cofres públicos municipais e indo parar no bolso de meia dúzia apenas, pode fazer você compreender porque é fácil para um político de Peruíbe sair de um momento para outro de um estado pré-falimentar para o de proprietário de fazendas Brasil afora.

O termômetro para um voto consciente é esse: o candidato não precisa ser inteligente, ter curso superior, MBA, doutorado; não precisa ser influente na sociedade organizada, nos clubes de servir; ele pode até ser simples. O que interessa é a sua vida, sãos as suas propostas, e o dizer para quê veio, e o ser sincero em dizer que não tem dinheiro para esbanjar, para jogar fora em sua campanha.

Comece agora tirando de sua lista de possibilidades todos aqueles e todas aquelas que você vê e sabe que tem muito dinheiro para gastar na campanha. Pode coloca-lo (ou coloca-la) na lista ao lado onde ficam os suspeitos de quererem muito para si, e nada para você.

E se aparecer alguém que abdique totalmente de seu salário de vereador ou prefeito e diga para você que vai preferir continuar vivendo com seu salário de orelha seca, é esse ai o cabra (ou a cabrita) que vai merecer o seu voto. Nesse você pode confiar.

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