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Esse empresariado mesquinho de Peruíbe…

Vivo, mal e parcamente, há algo em torno de 35 anos do jornalismo em Peruíbe. Escrevi para o Jornal Atlântico (de Mário Omuro), e para o pioneiro “Panorama”, fundado pelo José Bruno Filho (primeiro jornalista e primeiro farmacêutico de Peruíbe), quando seu filho Paulo Bruno o “vendeu” também para Mário Omuro, ainda na década de 70, no século passado.

Depois tentamos ressuscitar o “Gazeta de Peruíbe”, fundado por outro eminente jornalista – e político – da cidade, Abram Jacob Wizentier, em parceria com Manoel Mota Neto (Motinha), oriundo dos porões da Ditadura onde apanhou o quanto aguentou, pelas mãos do filho do então já falecido Jacob, Marcos Ensel Wizentier (Marquinhos), ex-vereador, comerciante e entusiasta dos esportes da cidade. A tentativa não passou de duas edições.

Em 1983 fundei o “Jornal das Estâncias”, em parceria com Manoel Mota Neto, desejosos que estávamos de conseguir apoio logístico e financeiro da então FUMEST – Fomento para Urbanização e Melhoria das Estâncias, onde Mário Omuro era o diretor financeiro (“dono” da grana, portanto) para a empreitada, que também não passou de duas ou três edições pagas por Mário Omuro, com dinheiro de seu próprio bolso.

Em 1986, resolvi partir para carreira solo. Manoel Mota, que viera de Itanhaém, onde trabalhara para o “Repórter do Litoral”, da família “Metralha” daquela cidade, já vinha de ter o seu próprio periódico: o “Jornal Caiçara”. E eu fundei sozinho o “A Notícia”.

Três anos depois, em 1988, o jornal virou revista, e o passei para Milton Pedra Beccaro, que acabou levando-o para Santos.

Naquele mesmo ano, em novembro, para comemorar a vitória de Mário Omuro com seus 54% de preferência do eleitorado, fundei o “Acontece” que, depois de 178 edições, e 17 anos de muitas lágrimas derramadas, em 2005, acabei por passa-lo para o então presidente da Associação Comercial de Peruíbe, João Fioribelli (Di Fiori) que, não aguentando o tranco, o passou para Heitor Pires, seu atual proprietário e responsável.

Não foi uma venda propriamente dita. Troquei-o por um Chevette ano mil e alguma coisa, caindo aos pedaços, cujos pedaços terminaram de cair nas mãos do ex-vereador Cícero Rodrigues da Silva para quem o vendi em mil parcelas que eram pagas na mesma proporção em que os pedaços do carro iam caindo pelas ruas da cidade.

Mas esta “venda” para Di Fiori não foi mais do que uma provocação. Semanas antes de bater o martelo neste negócio espetacular, eu fizera uma pergunta ao representante do empresariado local, o próprio Di Fiori, ali no Bar do Gordo, entre uma cerveja e outra, e uma dentada e outra no joelho de porco que o Gordo Dib fazia tão bem: “João, me diga uma coisa: quanto é que você gasta por mês entre cigarro e cerveja?”. Ele não se fez de rogado: “Uns três mil mais ou menos”. E eu retruquei: “Pô, e você não tem coragem de fazer um anúncio de 20, 30 reais no meu jornal, alegando que não tem dinheiro?”. Ele desconversou.

A maneira de me vingar foi pegar logo o Chevette preto das mãos dele, e passar para estas mesmas mãos o Acontece.

O pensamento de João Di Fiori não é exclusivo dele, porém. Está no inconsciente coletivo do empresariado local: não faço anúncio fora da temporada porque estou quebrado; não faço anúncio dentro da temporada porque não tenho como atender mais gente.

Quem sobrevive de propaganda em Peruíbe sabe do que estou dizendo. Admiro, aliás, Adelino Soromenho, do “De Mão em Mão”, pela coragem e paciência com que ele se entrega ao sacerdócio de pescar anúncios de R$ 20, e de, depois, ao ir cobrá-los, ter que pedalar sua bicicleta três, quatro, cinco vezes para buscar esta migalha, sempre ouvindo as mesmas respostas: não tenho dinheiro hoje, estou sem talão de cheque, passa depois…

Lembro-me do pessoal de “O Mirante” chegando a Peruíbe em 2004 com um aparato profissional de dar medo aos decanos do jornalismo local (dos que estão por ai ainda): eu e Alberto Talauskas, do “Jornal de Peruíbe”. Estão eles ainda vivos? Estão. Foi-se embora Marcos Asa, Guto foi para o “Ágora”, e André Santana abraçou o “O Mirante” numa quase senil esperança de tentar ver melhor norte para o jornalismo local a partir dele.

Não, meus senhores. É fácil para o empresário local, principalmente em tempos eleitorais como este pelo qual estamos passando, cobrar imparcialidade, investigação, denodo e coragem dos jornais e jornalistas; mas, na hora de enfiar a mão no bolso, o escorpião aparece logo para lembrar que pode picar!

Que resta, pois, aos profissionais da imprensa numa cidade tão pequena e provinciana, de empresariado tão mesquinho e burro como esse que temos senão acabar se entregando para as correntes políticas, de direita ou de esquerda, do bem ou do mal?

A questão histórica de Peruíbe neste campo é de que a inveja grassa no meio da sociedade peruibense, e ninguém ajuda ninguém porque simplesmente não quer ver ninguém bem, ninguém melhor que ele. Basta você ver que se alguém aparece com um carrão novo passeando pela cidade, não demora a circularem rumores de que está traficando, roubando, ou estaria servindo de laranja para algum contraventor ou criminoso.

Todos conseguem olhar tão-somente para os seus próprios umbigos. E só.

Ninguém pergunta quantas vezes foi você processado, quantas vezes condenado, quantas vezes sofreu revezes, injustiças, perseguições, agressões físicas, ameaças até de morte. Quanto gastou com advogados, com tempos, com viagens. Sequer querem saber quanto custa uma edição em uma gráfica!

E posso dizer que tudo isso já sofri! Só em uma condenação, em 2004, foram R$ 40.000,00 numa ação que Gilson Bargieri moveu contra mim, e que até hoje não fiquei sabendo se foi o próprio Gilson quem ma perdoou, ou se foi José Roberto Preto quem a pagou. Se um ou outro não tivesse tomado sua atitude, eu estaria enroscado até hoje, quem sabe teria ido até preso por isso.

Mas, se não fui preso por isso, fui por outra coisa. Vítima de uma armadilha preparada por políticos desafetos locais, quando vinha do Paraguai onde fora comprar um computador para uso pessoal, junto a policiais rodoviários que comiam e pescavam na fazenda de um destes políticos, acabei sendo preso em flagrante por descaminho e, depois o processo extraviou, sumiu, e eu acabei ficando 17 dias recolhido numa cela especial na cidade de Eldorado. Notem que ninguém vai preso por “descaminho”, a não ser por contrabando de armas ou drogas. Mas eu fui! Mesmo sendo primário, tendo residência fixa, documentos em dia, trabalho e formação, eu fui. Fui preso! (Em tempo, devo a minha soltura e o “achado” do processo que fora parar em São Paulo embaixo de uma enorme pilha de processos, ao então presidente do SINTRAPE, José Alves de Aguiar, ao Dr. Toni [advogado e professor em Santos], ao Dr. Mundi, do Ministério Publico Estadual, e a José Roberto Preto, à época já prefeito eleito).

Você que está lendo isso, que é empresário da cidade, me responda: no que isto lhe interessa? Sua resposta é simples: em nada! Claro. Você não é mais que um dos que somam a turba que querem ver mesmo é o circo pegar fogo e, quem estiver embaixo da lona, que se ferre. Mas não pensa que, quando você vier a precisar da saúde pública, da escola pública, do transporte público, da segurança pública, da limpeza pública, de impostos mais justos, você não terá ninguém que o defenda, porque a Imprensa, que deveria ser o Quarto Poder, se mancomunou com a sordidez dos políticos corruptos, tudo porque estes profissionais – e seus filhos – também sentem fome, e precisam comer.

Olhe para si mesmo agora e reflita se isto é justo. Há jornais, rádios, revistas, programas de televisão, portais e blogues na internet em Peruíbe. Não creio que nenhum deles gostaria de dizer para você que infelizmente não é independente porque você é um dos que preferem gastar dezenas de reais todos os dias numa maquininha caça-níqueis no boteco da esquina, mas não quer prestigiar a Imprensa de sua cidade!

Mas eu digo. Tenho moral para dizer isso. Tenho história para encher a boca e jogar isso na sua cara. Até porque, basta você ver que (veja aqui), das centenas de comércios e empresários da cidade, apenas 15 colaboram comigo em meu blogue. Dos 10 vereadores, apenas três me ajudam.

Você dirá que você trabalha e que é dono de seu dinheiro, e que faz o que quiser com ele. É verdade. Mas um dia, quando a tarde começar a escurecer, a noite se prenunciar, e você ver que não há sequer uma vela para alumiar a sua cidade, não peça do meu jornal para acender uma fogueira. Não tenho mais o jornal impresso. Agora eu só tenho o blogue.

Ah, você não se encaixa dentre os mencionados acima? Acesse aqui e me ajude. Tenho certeza que VINTE E SETE CENTAVOS POR DIA não alterará a sua rotina de gastos com seu lazer.

Washington Luiz de Paula

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