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Feijão a R$ 8 o quilo expõe nível de vergonha do povo brasileiro

Nem chegou o inverno, quando as geadas costumam castigar a agricultura, o que costuma ser desculpa para produtores – e o governo – permitirem que o preço dos grãos subam mais que o normal, eis que a família brasileira se depara com algo que mede, por si só, o quanto o povo brasileiro é, senão dócil, indolente, pacato a níveis doentios, ou em palavras mais duras, porém reais, sem-vergonha na cara: o quilo do feijão está alcançando, em alguns supermercados, o absurdo dos R$ 8,00 o quilo!

Se o brasileiro não estivesse tão preocupado com a Copa do Mundo que se avizinha, com o Itaquerão que segue sendo construído a toque de caixa, com o Maracanã que está sendo reconstruído, com o futebol-arte de Neymar, e não estivesse amortecido e alienado pela batida do funk, certamente teria condições, até físicas, para pensar que é absolutamente impossível que um quilo de feijão, cujos grãos, se jogados num jardim de parapeito de apartamento, brota, podendo até vir a sustentar uma família, pode chegar a custar quase o preço do quilo da carne bovina de segunda, e mais, bem mais que o preço de carne suína ou de frango, de primeira.

Sim. É verdade! Pare um pouco, e pense! Desligue esta merda de música (sic) que você ouve e obriga todo mundo a ouvir, e reflita que daqui a pouco você vai estar sentado numa mesa para almoçar ou para jantar, e a patroa – ou empregada – vai dizer que “hoje não tem feijão porque está muito caro”. Caro, não; caríssimo! O feijão, tradição nacional, cujos ramos não sei porquê não estão em nossa bandeira, não demora e vai ser banido de sua mesa, seja carioca, jalo, fradinho, preto, de corda, branco, rosinha ou que outro tipo for. Não é um absurdo isso?

Agora compare: para você criar um boi, um porco, um frango, você precisa ter criadouro, pasto, comprar ração, contratar veterinário, pessoal para cuidar, comprar vacina, controlar doenças como a febre aftosa ou a gripe aviária, esperar o bicho crescer, engordar, mandar para o abatedouro, que depois vai para a distribuição (que precisa ser especializada, com câmaras frigoríficas caríssimas), que depois chega no açougue que também precisa estar preparado com equipamentos e instalações que permitam a manutenção da carne a níveis aceitáveis para o consumo, e por ai vai… E você encontra coxão duro ou patinho a R$ 14,00 o quilo; coxão mole, alcatra e contrafilé a R$ 18,00, e a picanha a R$ 20,00. Do porco, você compra o toucinho para torresmo a R$ 4,00, a costelinha e o lombo a R$ 8,00. Do frango, o filé de peito, sem osso, a R$ 4,50 o quilo.

E o feijão: R$ 8,00 o quilo!

E o que fazer? Não comer mais feijão? Boicotar? Não comprar feijão? Não adianta. Os produtores – e o governo com seus estoques “reguladores” – não pensariam duas vezes em jogar no lixo, queimar, destruir os estoques se forem constatados como vencidos, assim como fazem com o leite, com a batata, com o arroz, com verduras e legumes quando os estoque estão abarrotados, e os produtores preferem jogar fora que reduzir o preço. E não teriam – produtores e governo – o menor pudor em dar a maior publicidade possível a este feito que, para alguns beira a heroísmo porque “contribui” para a estabilidade da economia nacional.

A solução para isso é fazer o que os povos de países civilizados e de primeiro mundo já vêm fazendo desde muito tempo: sair às ruas e protestar veementemente contra esta pouca-vergonha do governo em não saber – ou não querer – dar um basta nisso. Da Europa e da Ásia e África (vide países árabes ultimamente) vêm exemplos de que o povo unido derruba governos. Na América Latina me parece que o mais politizado dos povos seja mesmo chileno, depois o argentino. O brasileiro, não obstante a imensidão de seu território, segue as fileiras dos cordeirinhos, juntamente com povos mais miseráveis como o boliviano, peruano, venezuelano e mesmo equatoriano. Agora pense numa “Parada Gay” na Avenida Paulista, para ver se em dois, três dias não se organizam enormes caravanas vindo de todas as partes do Brasil..

O brasileiro consegue isso? Consegue, sim! Basta querer. O arremedo disso foi por ocasião da campanha das “eleições diretas” e quando da derrocada de Fernando Collor de Melo. Mas, nas duas ocasiões tinha a “poderosa” Rede Globo patrocinando com sua divulgação maciça tais eventos, e o povo seguiu a voz de comando a família Marinho. Agora, a Globo impõe nova ordem: sigamos a expectativa da Copa, das Olimpíadas, do MMA, do BBB, das novelas alienantes – verdadeiros ópios do povo! A ponto de nós até nos esquecemos do preço do feijão.

Até quando? Até quando o povo voltar novamente a sentir vergonha de ser desonesto, e voltar a discernir o certo do errado e o errado do certo. Até quando o povo acordar de sua letargia.

Depois de nos desarmarem, depois de imporem o modo como devemos educar nossos filhos, depois de nos fazerem acreditar que um jovem de 17 anos, 11 meses e 29 dias de vida não pode ser penalizado pelo crime que comete, depois de nos obrigarem a votar, depois de nos imporem esta casta de ladrões que nos roubam descaradamente e ainda se riem disso todos os dias que são os políticos, depois de tirarem Deus das escolas, tribunais e repartições públicas, depois de tentarem recolher as ações das igrejas cristãs aos limites de seus templos, agora parece que chega a vez de dizerem que nós não podemos mais comer feijão. E hoje é o feijão, amanhã o arroz, depois a carne, ali adiante a ração, preferencialmente controlada pelo governo.

Até quando?

Washington Luiz de Paula

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