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Epigrama* do Cotidiano: Quem matou Vedete Roitman?

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Washington Luiz de Paula

Ela lembra aqueles filmes de faroeste em que os mexicanos defendiam o Texas dos americanos, e ambos dos índios ferozes, quando, do alto dos muros de suas fortalezas feitos de troncos de árvores, disparavam uma metralhadora enorme, que tinha um tambor igualmente enorme, e que cuspiam “cem tiros de uma vez”, memorando a música-tema da TV Globinho.

Não. Não é tão mocinha quanto bandida talvez não seja. O que talvez lhe falte seja um parafuso na cachola. Consoante isto, o único perigo iminente que talvez corra seja mesmo o de entrar para o folclore municipal, como decerto já entrou.

Mas, estivesse ela no Maranhão, no Rio de Janeiro, ou em qualquer lugar acima da linha que divide sul e sudeste dos demais pontos cardeais deste nosso Brasil varonil, já estaria morta. Teria sido silenciada para sempre, até que seu blogue (ou site, como queiram) não demore a encontrar morada no esquecimento coletivo.

Mas imaginemos que alguém já venha de pensar que a vida não vale mesmo mais que um cheeseburger como costumava repetir um insigne cidadão peruibense, assim titulado por ter dado aquilo que, afinal, acabou não dando para o município; ou que, para sermos mais, digamos, contemporâneos, possa ser trocada por uma pedra de crack, e Vedete Roitman acabasse vitimada fatalmente pelo susto, pelas balas ou pelo vício… quem a teria matado?

Sim, meu caros, diletos e assustados leitores, esta terra de Tapirema é tão vagabunda que nem para contratar um pistoleiro paraguaio decente serve, quando mais para se dispor a pagar-lhe pelo “serviço” que, em alguns casos, como de jornalistas, juízes, promotores, políticos notórios, costuma ser um pouco mais caro, ao mesmo tempo que não se disporia a promover a comoção popular em busca da solução do crime, ou mesmo para recolher fundos para recompensar quem ajudasse na elucidação do impasse vital.

Imaginem a cena tirada da anedota do cotidiano:

– Señora Vedete, yo soy un pistolero paraguayo, e vino aquí para matar-te!
– Para o quê?, pergunta a assustada Vedete por detrás do balcão de seu trabalho.
– Paraguayo, señora!

Terá sido não mais que isso caso fosse. Mas se fosse mesmo, ou se viesse a ser, não tenhamos dúvida de que o caso não demoraria e estaria no horário nobre global como uma redescoberta novelesca para a trama que culminou com o embaralho coletivo das cabeças de todo o Brasil em tentar se antecipar em descobrir quem foi, afinal, que matou Vedete, a nossa Odete Roitman.

Sim. Inimigos não lhe faltam. E, pelo modo como age, os amigos, ao que parece, só o são por medo de um dia se verem estampados na boca grande das ruas depois de passarem pela boca singela de seu espaço cibernético. Sim! Se tiver ela amigos, quem seriam estes? Se tiver ela posição política formada, qual seria ela? Não. Não tem!

A pragmática de Vedete é simples, simplória mesmo, e coligida da história que conta do espanhol descendo no porto de Santos: “Hay gobierno en esta tierra? Se si, entonces yo soy contra!”.

O dilema instalado em seu próprio consciente, aliás, é este: se eu apoiar quem vir a ganhar a eleição, em quem eu vou bater depois?

Bater… É de sobejo conhecido que aquele que bate esquece; o que apanha, não! E bater por bater, pelo prazer mórbido de bater em tudo e em todos, bater sem olhar em quem, faz com que a preocupação dos que querem Vedete bem vislumbrem o seu vaticínio. E eu, que houve um tempo em que batia – e batia muito – sei muito bem que os caiçaras tiradores de sarro, aqueles que levavam desaforo para casa e ainda se riam disto, estão praticamente extintos. E estes deram lugar a gente que, por dinheiro e pelo dinheiro, são capazes de fazer qualquer coisa. Mas qualquer coisa mesmo! Por isso, já me aposentei de bater; não por medo de morrer – que não tenho – mas por não querer morrer sem uma causa que justifique o preço de minha vida.

Que todos nós precisamos de um paladino que nos defenda das mazelas praticadas por aqueles que nós mesmos elegemos – o que nos faz de certa forma mandantes do crime de lesa-coisa pública que cometem –, isso precisamos. Mas temos que confiar na Justiça, no Ministério Público e na sociedade organizada, sem que seja preciso a exposição dramática e apelativa que nada mais faz que instigar as pessoas ao  ódio. Costuma ser negro o futuro da imprensa marrom.

Mas, pior que morrer, é morrer sem saber por que, por quem, e por qual dos motivos citados, e a mando do qual daqueles incitados por sua lavra cheia de peçonha e descuido. Pior que ela vir a ser morta, é ficarmos todos nós na dúvida sobre quem, afinal, teria matado a nossa Vedete Roitman?

Oxalá este prenúncio de novela não seja mais que cômica, e menos, muito menos que trágica. E que um dia todos possamos rir, como os caiçaras de antigamente. Rir. Por ter cão, ou por não ter cão.

(*) Epigrama é um gênero literário em que o autor escreve (ou sobrescreve) em cima de um fato ocorrido ou iminente, não deixando de ser uma obra de ficção em que qualquer semelhança com eventos ou pessoas não passem de mera coincidência.
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