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Dos folhetos apócrifos de antigamente aos fakes hodiernos

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Em 1982 eu era recém-saído da faculdade e candidato a vereador pelo PMDB. Cícero Rodrigues da Silva era também candidato a vereador, pelo PDS. Os candidatos a prefeitos respectivos: Mário Omuro e Benedito Marcondes Sodré.

As apresentações do parágrafo acima são para que você, caro leitor, se localize, e, mesmo que não tenha estado em Peruíbe naqueles anos de declínio da ditadura militar pós 1964, pode bem conferir o que vai nestas linhas, vez que tanto Cícero, quanto Mário Omuro e Sodré estão vivos ainda. E eu também. (Pelo menos assim me parece).

No tocante a mim exageravam bastante: Mário Omuro ainda hoje diz que eu era o melhor orador da época (o que era uma covardia – convenhamos – considerando que tinha ainda frescas na memória as lições de homilética na faculdade). Outros que sabiam de minha facilidade de escrever tinham em mim um sucedâneo de Dalmar Americano da Costa, o médico-poeta maior de Peruíbe. Outro exagero. Dalmar trazia na alma e na pena a verve de um Bilac. Não, não poderia ser digno desta comparação.

Certo dia daquele ano de 1982, faltando algumas semanas para o pleito de 15 de novembro de então, Cícero me para na rua, com seu bugue caindo aos pedaços, e me alerta: “Foge, porque alguns partidários do Sodré estão querendo pegá-lo para lhe dar uma surra!” Por quê?, indaguei. E ele me disse que haviam soltado um folheto na rua falando o que se podia e o que não se podia, e inventando e exagerando algumas outras coisas mais do Sodré. Solícito como sempre foi, Cícero me emprestou ele mesmo o seu velho bugue e sumi eu pela praia até o Taniguá, onde fiquei dia e noite inteira, até sentir que a brasa da fogueira raivosa dos cupinchas de Sodré tinha se abrandado pela força do vento.

Como não houvera sido eu o autor do tal folheto, que, aliás, nem assinatura tinha, não sendo portanto apócrifo, e sim anônimo, busquei no dia seguinte saber o que estava acontecendo, e me explicar o quanto pude até que se convencessem que o autor da barbaridade literária não fora eu.

Anos depois, alguns meses antes de morrer, o velho Joaquim do Val (Quinzinho, o pai), me confessava que aquele folheto quem fizera foram os próprios amigos de caça e sueca de Sodré, a saber ele mesmo, Quinzinho, Milton Quadrado, Nicolau Cucky e mais uns dois ou três caiçaras que, não tendo lá muito o que fazer naqueles pacatos (e saudosos) dias peruibanos, viviam de criar artimanhas para aprontar com qualquer um. E me disse ele, Quinzinho: “Não fosse por mim você teria sido morto naquela época. E eu não poderia deixar isso acontecer com você já que eu sabia que não foi você quem fez o tal folheto”.

Estava inaugurada a era dos folhetos anônimos e apócrifos em Peruíbe.

Qual a diferença? Anônimo é anônimo, ou seja, não tem assinatura, não tem “pai”, não tem responsável. E a Constituição Brasileira, no capítulo que trata das liberdades constitucionais, como a da livre manifestação do pensamento, veda todo e qualquer cerceamento a esta liberdade, mas também veda (proíbe) o anonimato.

Apócrifo é quanto um documento tem assinatura, mas a assinatura não é reconhecida, é desprovida de autenticidade, de autoridade. Por exemplo, eu poderia assinar este documento como se Machado de Assis o houvera escrito, e com data de hoje, indicando a impossibilidade de o grande escritor fundador da Academia Brasileira de Letras tê-lo assinado, considerando estar ele morto há bastante tempo. Mas eu poderia assinar este documento com um nome fictício, um pseudônimo, alguém do imaginário meu ou do imaginário popular, um nome qualquer, preferencialmente desconhecido, que incite à curiosidade, mas que mais tarde descobrir-se-ia não passar de um documento apócrifo. Exemplo disso é o que parece ter acontecido na famosa eleição de prefeito de 1996, quando estavam no embate pari passu Gilson Carlos Bargieri (PSB), José Carlos Rúbia de Barros (PTB) e Mário Omuro (PMDB), vindo logo atrás Alba Valéria Vieira de Farias (PPB) e Carlos Ramiro de Castro (PT), deixando na lanterna Alberto Sanches Gomes (PSDB).

A campanha de Gilson Bargieri tinha um jornal (“A Cidade”, se não me falha a memória), assinado pelo jornalista e radialista Antonio Aparecido Costa (Costa Neto) que, juntamente com uma revista (“GB – Gente Boa”) teciam loas a Gilson. Faltando poucas semanas das eleições, apareceu do nada uma edição do dito jornal descendo a lenha em todo mundo. Foi um pandemônio. Costa Neto jura até hoje que não foi ele que fez aquela edição que acabou expondo as fissuras de Carlinhos, de Mário e do próprio Gilson, levando o até então lanterninha, Dr. Alberto, a ganhar as eleições.

Aquele foi ao que tudo indica um histórico exemplo de jornal apócrifo.

Em 2008 eu e minha família – e amigos – fomos vítimas de um folheto que também podemos ter por apócrifo.

Com Gilson Bargieri tendo sido cassado às vésperas das eleições, e tendo, a toque de caixa, substituído a si mesmo por sua filha Milena (atual prefeita), sem que, contudo, houvesse tempo para trocar as fotos e nomes da urnas eletrônicas, tendo a justiça decidido que o voto dado a Gilson (por seu nome ou foto) valeria para Milena, o que convenhamos foi de uma incongruência descomunal da Justiça Eleitoral, inconformados, alguns desafetos de Gilson fizeram circular no dia das eleições um folheto com o timbre da Justiça Eleitoral e o Brasão da República “orientando” ao eleitor que, caso aparecesse a foto de Gilson, que não se apertasse a tecla “verde”, mas sim a “vermelha” para anular o voto. A Justiça Eleitoral não mandara fazer aquele folheto; era, portanto, um documento apócrifo.

Mas, como alguns iluminados da campanha de Gilson/Milena tinham certeza que quem fizera o documento fora eu, não passou 15 minutos depois que David da Silva Maia Neto (atual Secretário de Administração e ex-vereador) passou com seu carro em frente à minha casa para anotar o número de onde morava, e eis que eu fui surpreendido com viaturas policiais cercando minha residência, e policiais armados até de metralhadoras, acompanhados de uma oficial de justiça, com ordem judicial para revistar minha casa, com a intenção de buscar a “prova” de que era eu o autor do tal panfleto apócrifo. Eu, minha família e amigos, que estávamos à beira da piscina e curtindo um churrasco passamos incólumes pelo impasse. Não acharam nada, e foram embora. O folheto que fora criado apócrifo, apócrifo continuou.

Nas eleições presidenciais últimas, já sob o advento da internet, surgiram muitos documentos sendo espalhados pela rede como que assinados por jornalistas famosos, como o global Pedro Bial e a consagrada Marília Gabriela expondo o “medo” de sermos governado por uma “ex-terrorista” e militante da esquerda armada brasileira, a nossa agora presidente Dilma Roussef. Marília e Pedro correram para desmentir que tivessem sido autores daquelas linhas, e os e-mails que restaram espalhados por todos os cantos onde se encontrava um computador conectado à internet ultrapassaram a barreira de serem tidos apócrifos, alcançando a condições de falsos; criminosamente falsos.

Anônimos, apócrifos ou falsos, tenho para mim que tudo aquilo que não puder ter a conferência da origem, da responsabilidade, da autoria, da assinatura de alguém que responda pelo que fala ou escreve é sempre de um perigo tremendo. Se antes era preciso se esconder sob o manto da escuridão noturna para sair às ruas espalhando folhetos falando aquilo que não se tinha coragem de falar à luz do dia, hoje, a partir de um simples computador que custa menos que mil reais, você invade a privacidade alheia, você vilipendia, você atropela, você injuria, você calunia, você difama; mas você também expõe a verdade, a vergonha, a desfaçatez, a falta de honradez, o crime que alguém comete, seja de natureza pública ou não. Os chamados “fakes” (falso, em inglês) das redes sociais, notadamente do Facebook, que o digam.

Há um liame ai, no entanto, entre um fake que empresta uma figura e um nome, conhecido ou não, pelo qual se identifique em sua forma ou pensamento, e a ausência do anonimato. Sim. Ninguém está seguro de todo na rede. Nem mesmo os que praticam crimes cibernéticos navegando sob ips anônimos ou também falsos. Na proporção em que crackers usam de sua inteligência para praticar o mal, os hackers se sobressaem para combatê-los.

Na prática, há ao que parece os que pensam que não dando a cara para bater, usando dos cadastros fakes como subterfúgios de ataques pessoais contra este ou aquele candidato, ou contra este ou aquele partidário que busca mostrar porque seu candidato  (ou candidata) é melhor, iriam mover a vontade popular para o seu lado, ou para o lado do que nitidamente demonstra representar.

Resta saber para o lado de quem? Para qual lado? Ora, em não havendo a coragem para se expor, democraticamente se expor, como pretendem que alguém lhes dê crédito? Ou seria o povo tão tolo assim a ponto de seguir o toque do flautim de alguém que não existe, ou que, se existe, tem medo até de se mostrar?

Sendo assim, recomendo cuidado. O mesmo canto que pode nos chamar para prometidos dias de mudanças, pode ser o canto que nos levará para o despenhadeiro, de onde, em caindo, não mais teremos como dele sair. Afinal, o fake por ser – como é – falso; mas o perigo que ele representa, não.

Washington Luiz de Paula

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