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Sem Marta, Haddad espera fim das prévias em São Paulo

Ministro da Educação é principal beneficiado com saída da senadora da disputa pela candidatura ao comando da cidade. Anúncio deve ser feito nesta quinta
Fernando Cavalcanti
Saída de Marta Suplicy da disputa abre caminho para que Fernando Haddad almeje a prefeitura de São Paulo

Adriana Caitano, da Veja

A senadora Marta Suplicy vai anunciar nesta quinta-feira que abre mão oficialmente da disputa para ser candidata a prefeita de São Paulo pelo PT. Como o pedido foi feito diretamente pela presidente Dilma Rousseff, Marta sucumbiu e deixou o caminho livre para o ministro da Educação, Fernando Haddad, protegido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com sua principal concorrente fora do páreo, Haddad acredita que os outros pré-candidatos – Eduardo Suplicy, Carlos Zarattini e Jilmar Tatto – vão seguir o exemplo e desistir da batalha.

Mesmo com o apoio irrestrito de Lula para ser o candidato petista, o ministro ainda tinha Marta como uma pedra em seu caminho. Em pesquisas recentes sobre a intenção de voto dos paulistanos, a senadora aparecia na frente em todos os quadros apresentados e dizia, a quem quisesse ouvir, que não desistiria de voltar à Prefeitura.

No entanto, apesar do apoio de eleitores, faltava a Marta aliados dentro da legenda. Interlocutores do partido afirmam que ela estava cada vez mais isolada. “No PT, quem tem exército para mobilizar filiados é quem tem mais”, comenta um petista que participa ativamente da pré-campanha. “Os filiados não vão sozinhos às prévias, são incentivados e controlados por lideranças intermediárias e, para elas, a opinião do Lula pesa muito”.

Imagem

A cúpula do PT sempre foi resistente à realização de prévias para a escolha de candidatos por acreditar que elas podem passar a imagem de falta de unidade interna. Na opinião de alguns líderes da sigla, a insistência de Marta em enfrentar Haddad em uma batalha de resultado previsivelmente desfavorável a ela seria arriscado. “Sua saída foi uma forma de preservá-la, pois ninguém queria vê-la sendo derrotada nas prévias, o que causaria sequelas para todo mundo”, diz o petista.

O papel de convencer Marta de desistir das prévias era do próprio Lula. Como a descoberta do câncer na laringe nesta semana o afastou temporariamente das articulações políticas, Dilma teve que assumir a função. A estratégia escolhida foi a de massagear o ego da senadora. Na conversa de terça-feira, a presidente ressaltou a importância que Marta pode ter no Senado, dando-lhe a responsabilidade de cuidar dos temas do governo no Congresso. Marta, então, aceitou sair do páreo para ganhar créditos com o Planalto e o PT.

Mesmo fora da concorrência, a senadora não é carta totalmente fora do baralho. O pré-candidato que a tiver do lado poderá ganhar visibilidade entre seus eleitores. E Haddad já está de olho nesses votos. “Dificilmente ela anunciará apoio a alguém agora, mas vamos trabalhar para que ela participe dos eventos em favor do ministro”, afirma um aliado de Haddad.

Registro

A próxima segunda-feira é o último dia para que os aspirantes a pré-candidatos pelo PT registrem oficialmente o interesse em participar das prévias do partido, marcadas para 27 de novembro. Para serem aceitos na disputa, precisam apresentar assinaturas de no mínimo 10% dos filiados que votaram na última eleição interna da legenda, o correspondente a cerca de 3.000 pessoas.

De acordo com interlocutores de Haddad, o ministro já coletou 13.200 assinaturas e deve chegar a 15.000. O deputado federal Carlos Zarattini já conseguiu a quantia mínima e foi o primeiro a registrar a candidatura. O também deputado federal Jilmar Tatto e o senador Eduardo Suplicy ainda não entregaram o pedido oficial para participar do embate. Mas ainda há tempo para que abram mão de concorrer.

Pelo menos essa é a aposta de Haddad. “Provavelmente a saída da Marta deve ter um grande impacto na decisão dos outros”, destaca o petista ligado ao ministro da Educação. Caso todos desistam da disputa, as prévias serão canceladas e Haddad será o único nome a ser apresentado para receber o aval dos filiados.

Insistência

Dentre os três, Suplicy é o mais difícil de ser convencido. Em 2002, ele praticamente obrigou Lula a disputar a indicação da legenda à campanha presidencial nas prévias. Mesmo com a vitória do ex-presidente na época, o trauma faz com que, nos bastidores, boa parte do PT faça de tudo para que o senador dê o braço a torcer.

A dificuldade de Suplicy para conseguir assinaturas de adesão tem ajudado a desmotivá-lo. “Ele é um pouco individualista, mas é ponderado e, se perceber um movimento unificado no partido para outro candidato, vai ceder”, acredita o interlocutor de Haddad. “Mas certamente o PT vai ser duro com ele ao seguir as regras ao extremo caso ele não consiga nomes suficientes que o apoiem”.

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